NOTÍCIAS
08/11/2019 17:42 -03 | Atualizado 08/11/2019 17:45 -03

Lula é solto em consequência de decisão do STF

Ex-presidente condenado em 2ª instância pela Operação Lava Jato é liberado pela Justiça Federal após 580 dias na cadeia.

ASSOCIATED PRESS
O ex-presidente Lula foi solto nesta sexta-feira (8).

Após 580 dias preso em uma cela na sede da Polícia Federal (PF) em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou o cárcere na tarde desta sexta-feira (8). O juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Federal de Curitiba, determinou a expedição do alvará de soltura do ex-presidente na tarde de hoje.

O pedido de liberdade foi protocolado pela defesa pela manhã, após a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de derrubar a prisão após condenação em segunda instância.

Após deixar a cela, Lula foi recebido por familiares, militantes e dirigentes do PT que o aguardavam na porta da sede da PF. O plano é que o ex-presidente deixe Curitiba e siga para São Bernardo do Campo (SP) em um avião fretado.

Ao receber a notícia do pedido de soltura, Lula estava muito “sereno” e considerou que a decisão do STF deu uma “luz de esperança” de que o seu caso possa ser julgado com justiça, informou o advogado Cristiano Zanin.

Corrupção e lavagem de dinheiro

O ex-presidente Lula estava preso por ter sido condenado em 2ª instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá. Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal por ter recebido R$ 3,7 milhões de propina da construtora OAS. O repasse foi feito por meio de upgrade em imóveis, reforma e decoração de um tríplex, além do armazenamento de bens do ex-presidente pela empreiteira.

O petista foi identificado como “comandante máximo do esquema de corrupção”e “verdadeiro maestro dessa orquestra criminosa”, de acordo com o procurador da República Deltan Dallagnol, chefe da Lava Jato. 

Em janeiro de 2018, o TRF-4 condenou Lula, ratificando a condenação em 1ª instância, do então juiz Sergio Moro. O ex-presidente foi condenado a 12 anos e um mês de prisão.

Em nota divulgada na quinta-feira (7), os advogados Cristiano Zanin e Valeska Martins informaram que vão pedir ao STF para que julgue os habeas corpus que pleiteiam a nulidade de todo processo que levou à condenação de Lula.

Zanin e Martins alegam, por exemplo, a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e dos procuradores da Lava Jato. Neste ano, o The Intercept Brasil revelou uma série de áudios mostrando uma relação muito próxima de Moro e procuradores da operação.

“Lula não praticou qualquer ato ilícito e é vítima de ‘lawfare’, que, no caso do ex-presidente, consiste no uso estratégico do Direito para fins de perseguição política”, disse a defesa. 

Nas redes sociais, petistas e perfis relacionados ao partido celebraram a soltura do ex-presidente: