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26/04/2019 17:43 -03

Na 1ª entrevista na prisão, Lula diz que sua obsessão é desmascarar Moro e Dallagnol

À Folha e ao El País, ex-presidente preso em Curitiba afirmou que o Brasil é governado por malucos.

NurPhoto via Getty Images
Lula concedeu entrevista ao El País Brasil e à Folha de S.Paulo.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba há mais de 1 ano, concedeu sua primeira entrevista na cadeia, após meses de briga de veículos de comunicação na Justiça para falar com o petista. Ao El País Brasil e à Folha de S.Paulo, Lula utilizou diversas frases de efeito para contestar sua prisão e criticar a situação do País sob Jair Bolsonaro.

Além do governo do PSL, os alvos preferenciais de Lula na entrevista foram o atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, juiz que condenou o presidente em 1ª instância, e o procurador Dalton Dallagnol, do Ministério Público Federal, que ofereceu denúncia contra Lula.

Segundo o ex-presidente, muitos de seus conselheiros queriam que ele deixasse o Brasil, que se abrigasse em uma embaixada para evitar a prisão. Mas uma “obsessão” o fez se entregar em abril do ano passado, ainda que se declare inocente.

“Tenho tanta obsessão de desmascarar o Moro, o Dallagnol e sua turma e todos aqueles que me condenaram que eu posso ficar preso 100 anos. Mas não trocarei minha dignidade pela minha liberdade”, enfatizou. “Quero provar a farsa montada aqui dentro e dentro do departamento de Justiça dos Estados Unidos”, disparou.

O ex-presidente diz que dorme com a consciência tranquila por sua inocência. “Tenho certeza que o Moro não dorme e que Dallagnol não dorme.”

Para provar a “farsa” de que foi vítima, Lula argumenta que o STJ (Superior Tribunal de Justiça) reduziu as multas impostas a ele, em instância inferior da Justiça, de R$ 29 milhões para R$ 2,4 milhões, que seria o valor do tríplex pelo qual foi condenado. O STJ também reduziu a pena de 12 anos e 1 mês de prisão, definida pelo TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), para 8 anos e 10 meses.

O ex-presidente também manifestou descontentamento com a situação do País, governado por Jair Bolsonaro. Em tom de advertência à elite brasileira, pediu autocrítica. “O que não pode é o País estar governado por esse bando de maluco que governa o País.”

Segundo a Folha, Lula fez várias críticas a Bolsonaro, mas sem ser categórico. “Ou ele constrói um partido sólido ou não perdura.”

Lula também ressaltou a diferença de tratamento dispensado a ele e a Bolsonaro pela imprensa. “Imagina se os milicianos do Bolsonaro fossem amigos da minha família?”, perguntou.

Foi uma alusão a um dos primeiros escândalos do clã Bolsonaro revelados neste ano. O primogênito Flávio contratou em seu gabinete, quando era deputado estadual na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), a mãe e a mulher de um ex-militar suspeito de chefiar o Escritório do Crime, milícia responsável por assassinatos por encomenda. 

Condenações de Lula

Em 2017, Lula foi condenado em 1ª e 2ª instâncias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a sentença de Moro, o ex-presidente recebeu R$ 3,7 milhões de propina da OAS. O repasse foi feito por meio de upgrade em imóveis, reforma e decoração de um tríplex no Guarujá, além do armazenamento de bens do ex-presidente pela empreiteira.

A prisão dele em 2018 foi em função dessas condenações. Em fevereiro deste ano, ele foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva em mais um processo: do sítio de Atiabaia, também em São Paulo.

De acordo com a denúncia aceita pela juíza Gabriela Hardt, o petista recebeu R$ 1 milhão em propinas referentes a reformas feitas no imóvel, que incluíram a ampliação da sede do sítio e a reforma de um lago artificial. As obras foram custeadas pela OAS e Odebrecht, empreiteiras com contratos com o governo federal.