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20/05/2020 12:37 -03 | Atualizado 20/05/2020 12:38 -03

No pior dia da pandemia, Lula diz 'ainda bem' que natureza criou coronavírus e Bolsonaro faz piada

Petista exalta 'monstro' do coronavírus, que fez com que pessoas enxergassem papel do Estado e Bolsonaro faz piada em live: 'Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma Tubaína'.

O Brasil teve na terça-feira (19) o registro de seu pior dia desde o início da pandemia do novo coronavírus. Foram registradas 1.179 mortes em apenas 24 horas, número superior, inclusive, ao da Itália em seu pior dia. Com isso, o País já somou 17.971 vítimas fatais da covid-19. No mesmo dia, as duas principais lideranças que polarizam a política brasileira não se mostraram muito preocupadas com a tragédia causada pelo vírus. 

Em entrevista à Carta Capital por vídeo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que “ainda bem” que a natureza “criou esse monstro chamado coronavírus”. Já o presidente Jair Bolsonaro – que deveria, mais do que qualquer outro político, demonstrar respeito às milhares de famílias enlutadas – aproveitou uma live com o jornalista Magno Martins para fazer piada.

Ao falar sobre privatizações na entrevista ao vivo, Lula citou as pessoas que acham “que tem que vender tudo que é público e que tudo que é público não presta nada” e disse ver lado positivo na pandemia.

“Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus. Porque esse monstro está permitindo que os cegos enxerguem, que os cegos comecem a enxergar, que apenas o estado é capaz de dar solução a determinadas crises”, disse. 

Bolsonaro, que não cansa de desrespeitar as vítimas e seus familiares com declarações e ações infelizes e irresponsáveis, por sua vez, disse na live com o jornalista que “quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma Tubaína”, em referência ao refrigerante.

Nesta quarta (20), por pressão de Bolsonaro, o Ministério da Saúde ampliou a recomendação de uso da cloroquina para tratamento da covid-19, embora não haja comprovação científica do uso do remédio para combater o novo coronavírus e o medicamento aumente o risco de problemas cardíacos.

Com a mudança, a pasta indica o uso da droga também nos casos leves da doença. Antes, a recomendação era apenas para quadros moderados e graves, quando o paciente poderia ser monitorado no hospital. Essa previsão já era ilegal, de acordo com especialistas.  

A pressão feita por ele para o ministério mudar sua diretriz em relação ao medicamento foi um dos fatores que levou à saída de Nelson Teich do comando da pasta na última sexta-feira (15).

As duas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais, não só dentro do “Fla-Flu” político entre defensores de Lula e de Bolsonaro, mas também por quem se sentiu ultrajado pela dupla falta de sensibilidade – para dizer o mínimo.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, veio a público mais uma vez defender o ex-presidente.

E a defesa de Gleisi também foi alvo de críticas de políticos.