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19/02/2020 09:30 -03

Para Huck, insulto de Bolsonaro a jornalista 'ultrapassa fronteiras da decência'

O posicionamento de Huck se deu no mesmo dia em que o presidente insultou a jornalista Patricia Campos Mello.

Stringer . / Reuters

O apresentador Luciano Huck usou o seu Twitter para criticar o presidente Jair Bolsonaro. Em uma mensagem publicada na última terça (18), Huck afirmou que “fronteiras da decência foram ultrapassadas” após fala do presidente e ofereceu apoio à jornalista Patricia Campos Mello, da Folha de S. Paulo.

O posicionamento de Huck se deu no mesmo dia em que o presidente insultou a jornalista. Em um pronunciamento em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro fez insinuações sexuais ao se referir ao trabalho de Mello. 

“Ela [repórter] queria um furo. Ela queria dar o furo [risos dele e dos demais]”, afirmou o presidente, aos risos.

Para Huck, o episódio é “triste e revoltante ao mesmo tempo”. Apontado como pré-candidato para as disputas presidenciais de 2022, o apresentado manteve-se discreto em seus posicionamentos públicos. Até ontem.

A fala de Bolsonaro gerou repercussões em diversos grupos da sociedade. Ele fez a insinuação sexual em referência ao depoimento de Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário de uma agência de disparo de mensagens, à CPMI das Fake News. Aos senadores, Hans River disse que a jornalista “queria um determinado tipo de matéria a troco de sexo”.

A informação é falsa, mas foi replicada como verdadeira nas redes sociais, inclusive por Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), deputado filho do presidente. O jornal mostrou documentos e gravações que desmentem o depoimento de Hans River e mostram que ele tentou chamar a jornalista para sair.

Patrícia Campos Mello é autora de uma das reportagens que apontam uso de disparos ilegais pelo WhatsApp pela campanha de Bolsonaro nas eleições em 2018.