ENTRETENIMENTO
19/05/2019 15:13 -03 | Atualizado 19/05/2019 16:18 -03

Quem se atreve a dizer do que é feito o Los Hermanos?

Encerramento da turnê nacional em São Paulo foi uma noite de comoção coletiva.

Los Hermanos entrou em estádio com o jogo ganho. Na noite deste sábado (18), o quarteto carioca encerrou a turnê nacional, que passou por 12 capitais, no Allianz Parque, em São Paulo, com um show de quase duas horas, ovacionado do início ao fim por 45 mil pessoas.

A experiência de uma apresentação do Los Hermanos num estádio lotado de fãs de diferentes gerações é surpreendente, uma vez que a banda estourou lá no início dos anos 2000 como uma das maiores do rock nacional e não havia lançado nada novo desde 2005.

Corre Corre, faixa divulgada dias antes do início da turnê, foi a única novidade apresentada no palco. O repertório reuniu 23 sucessos dos quatro discos da banda, cantados com paixão pela multidão que dividiu o protagonismo da noite.

Ainda que alta, a interação dos fãs em músicas como O Vencedor e A Outra foi turbinada por projeções de mosaicos dos fãs telões instalados nas laterais do palcos e luzes coordenadas nas cores vermelho e azul que tomavam toda a extensão do estádio.

Quem estava perto do palco apreciou a decoração com luzes de LED atrás da banda, que acabaram virando meros detalhes em maio ao mar de lanternas de smartphones quando quando Rodrigo Amarante tocou Sentimental, do disco Bloco do Eu Sozinho (2001).

A sequência em levada hardcore de quatro músicas do primeiro e homônimo disco da banda, lançado em 1999, também foi marcante. Tenha Dó, Quem Sabe, Descoberta e Anna Júlia, com o apoio de Mauro Zacharuas no trombone e Índio no sax, tiraram os fãs do chão.

A impressão que o grupo transmitiu era de que estava tanto confortável quanto genuinamente feliz por oferecer em sua melhor fase o que multidão queria. Amarante chegou a descer do palco e pular sobre o público e Camelo afirmou: “Este é um sonho que a gente nunca imaginou sonhar”.

Em meio à catarse, gritos em coro contra o presidente Bolsonaro foram entoados pelo público, mas sem endosso da banda. A performance de Último Romance foi o auge, com a voz da plateia quase cobrindo a de Amarante.

No bis, todos se deleitaram com Deixa o Verão, Azedume e Pierrot, sucessos do início da carreira do grupo. Era o fim de uma noite de comoção coletiva, onde 45 mil pessoas abraçaram memórias particulares de conquistas, perdas, inícios e términos embalados por músicas do quarteto. 

Aos fãs resta agora esperar a disposição do Los Hermanos para outro reencontro. Ou, melhor ainda, uma nova fase que aponte para o futuro.