LGBT
03/04/2019 19:57 -03 | Atualizado 03/04/2019 20:08 -03

O discurso e o beijo de Lori Lightfoot, a 1ª prefeita negra e lésbica de Chicago

A ex-promotora, que concorreu pela primeira vez, desbancou concorrentes com 74% dos votos.

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Lori Lightfoot dá um beijo em sua esposa Amy Eshleman, ao fazer discurso emocionado de vitória. Ela a primeira prefeita negra e lésbica de Chicago.
Hoje vocês conseguiram mais do que fazer história, criaram um movimento para a mudança.Lori Lightfoot

A frase acima é da ex-promotora federal Lori Lightfoot que, aos 56 anos, protagonizou um dia histórico para os Estados Unidos. Com cerca de 74% dos votos ela foi eleita a primeira prefeita negra e lésbica de Chicago.

Ao lado de sua esposa Amy Eshleman, e a filha de dez anos, Victoria, ela fez um discurso emocionado para celebrar a vitória e afirmou que “interesses dos poderosos” foram enfrentados e que isso é um “movimento para a mudança”. 

“Hoje vocês conseguiram mais que fazer História”, pontuou. “Nós enfrentamos interesses dos poderosos, uma máquina poderosa e um prefeito igualmente poderoso”, disse Lightfoot. “Ninguém nos deu muita chance.”

“Mas eu me lembro de algo que Martin Luther King disse quando eu era uma criança”, ela continua. ”‘Fé’, ele disse, é dar o primeiro passo quando você não consegue enxergar a escada. Nós não conseguimos enxergá-la quando começamos essa empreitada. Mas tínhamos fé.”

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Ao lado de sua esposa Amy Eshleman, e a filha de dez anos, Victoria, Lightfoot fez um discurso emocionado.

A vitória de Lightfoot faz de Chicago a primeira das três maiores cidades dos Estados Unidos a eleger uma representante abertamente homossexual. 

“Tínhamos fé na cidade e em seu povo. Então demos o primeiro passo”, disse Lightfoot, ao prometer que, nos próximos anos, vai acabar com o ciclo de corrupção existente que alimenta os altos índices de violência na cidade.

Esta, inclusive, foi uma de suas promessas de campanha. Lightfoot prometeu livrar a prefeitura da corrupção e ajudar pessoas de baixa renda e da classe trabalhadora, que foram “deixadas para trás e ignoradas” pela classe política.

“Nós deixamos a nossa fé ser maior do que o nosso medo. Nós podemos e nós iremos quebrar com esse ciclo vicioso de corrupção nesta cidade. E nunca mais vamos permitir que políticos tirar proveito de uma posição de poder.”

Ao concorrer pela primeira vez, Lightfoot derrotou a candidata Toni Preckwinkle, que teve cerca de 26% dos votos. Ela substituirá Rahm Emanuel, do Partido Democrata, que foi 1º chefe de gabinete da administração de Barack Obama.

Lightfoot, em seu discurso, ainda afirmou que sua vitória provou que Chicago é “uma cidade onde não importa de que cor você é” e “onde não importa quem você ama, contanto que você ame de todo o coração”. 

Ao terminar sua fala, ela protagonizou algo que é incomum na política institucional norte-americana e, também, no mundo: um beijo lésbico entre ela e sua companheira, Amy Eshleman.  

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Desde 1837, os eleitores de Chicago elegeram apenas um prefeito negro e uma prefeita mulher.

A ex-promotora federal, não foi a única lésbica a vencer nas urnas nesta semana nos Estados Unidos. Satya Rhodes-Conway, do partido democrata, foi eleita prefeita de Madison, a segunda maior cidade do estado de Wisconsin. 

“Nesta noite, muitos garotos e garotas estão nos assistindo. E eles estão vendo o começo de algo, bem, um pouco diferente. Eles estão vendo uma cidade que irá renascer. Obrigada, Chicago. Do fundo do meu coração, obrigada. Nós, hoje, fizemos mais do que história. Criamos um movimento para a mudança.”

Ela também reiterou a promessa de que vai investir em bairros vulneráveis ou que estão próximos ao centro expandido da cidade. “Nós podemos e faremos de Chicago um lugar onde seu CEP não determina seu destino”, afirmou.

Desde 1837, os eleitores de Chicago elegeram apenas um prefeito negro e uma prefeita mulher, informa a AFP. E outras 7 mulheres negras, atualmente, são prefeitas nas principais cidades do país, como Atlanta e Nova Orleans.

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