LGBT
28/06/2020 04:00 -03 | Atualizado 08/07/2020 16:24 -03

Drag queens eram marginalizadas, mas hoje estamos no 'mainstream', diz Lorelay Fox

Em entrevista ao HuffPost Brasil, artista fala sobre começo da carreira, visibilidade nas redes sociais, a relação com a família e orgulho LGBT.

Foi entre um tutorial de como tirar a maquiagem, a divertida crítica aos “gays da internet”, a discussão sobre a situação política brasileira e o direito de pessoas LGBTs doarem sangue que a drag queen  Lorelay Fox conquistou cerca de 800 mil seguidores em 5 anos no “Para Tudo”, seu canal no YouTube.

“Para mim é isso o que importa no fim das contas. Ser relevante para a nossa comunidade. Para mim é incrível as pessoas terem me colocado nesse lugar”, disse, em conversa bem-humorada no Instagram do HuffPost Brasil na semana de comemoração do orgulho LGBT. “A gente se torna representante de uma fala que nunca foi muito representada. Eu não ligo muito para os números, me preocupo mais em saber se eu estou alcançando as pessoas.”

Veja página especial do HuffPost Brasil: ‘Orgulho Reinventado’

Em meio à pandemia do novo coronavírus, aconteceu no último dia 14 a primeira edição totalmente online da Parada do Orgulho LGBT, da qual Lorelay foi uma das apresentadoras. A intenção foi marcar a data em que a parada, que é considerada a maior do mundo, ocuparia a Avenida Paulista, em São Paulo.

“Para muitas pessoas [a parada] é um dos poucos momentos do ano em que elas podem ser vistas, podem se expressar em relação à sua orientação sexual, ao seu gênero, enfim. Isso não existir fisicamente pode deixar um vazio muito grande. Essa ocupação virtual tem sido muito importante pra isso”, diz. 

Reprodução
Foi no interior de São Paulo, na cidade de Sorocaba, que Danilo Dabague começou a se montar, há mais de 13 anos.

Em vídeo enviado ao HuffPost Brasil, em celebração ao mês do orgulho, a drag queen também afirmou que manter as comemorações mesmo diante da crise sanitária serve para que a comunidade LGBT se sinta “vitoriosa”. 

A cada dia mais que a gente vive, a gente enfrenta uma sociedade que não aceita quem nós somos. Que nunca aceitou totalmente. É a cada dia perceber que nós estamos sobrevivendo. E sobrevivendo às custas de muitas pessoas que morreram e que lutaram pela liberdade que temos hoje”. Assista ao vídeo:

As manifestações de celebração do movimento que reivindica o orgulho de ser LGBT são filhas da resistência à violência contra a população homossexual e não binária nos Estados Unidos. Em 28 de junho de 1969, a polícia de Nova York faria mais uma batida no famoso bar gay da cidade, o Stonewall Inn, que motivou uma rebelião e a criação da primeira marcha por direitos.

Se hoje em dia um gay, uma lésbica se assume é porque muita gente antes dessa pessoa precisou lutar, precisou sofrer para que a gente usufruísse dessa liberdade”, afirma Lorelay. “A gente se orgulha e a gente comemora porque a gente sobrevive em um dos países que mais mata LGBTs no mundo.”

O consolidação de Lorelay Fox e da cena drag

O nome é inspirado na personagem Lorelay, da série Gilmore Girls, e o sobrenome, Fox, da LoveFoxx, vocalista da banda Cansei de Ser Sexy, popular no início dos anos 2000. Por trás do nome, da make, da peruca e do look poderosos, está o publicitário Danilo Dabague, de 33 anos.

Foi no interior de São Paulo, na cidade de Sorocaba, que ele começou a se montar, há mais de 15 anos. “Engraçado pensar que é pouco tempo. Mas a inspiração que eu tinha [naquela época] é completamente diferente da que as drags têm para começar hoje. Quando eu comecei foi realmente para me divertir, porque eu gostava de maquiagem, me identificava com o meio drag.”

Hoje, Ru Paul é um fenômeno, assim como Pabllo Vittar. “Ru Paul trouxe essa vontade de conhecer as drags. Porque sempre foi muito marginalizado dentro do próprio meio LGBT. E a partir do momento em que dentro do movimento LGBT foi dito ‘nossa, drag é uma coisa legal’, a gente começou a se empoderar tanto que a gente rompeu a bolha, que a gente chegou no mainstream”, diz. 

Em um papo bem-humorado com o HuffPost Brasil, Danilo contou como criou a drag queen Lorelay Fox, a relação com a família e como decidiu usar o canal para dar visibilidade a outros assuntos que não só maquiagem e arte drag.

“Quando uma drag aparece, não importa quem ela seja, a atenção se volta para ela para o bem ou para o mal. A drag tem esse poder de atrair as atenções”, diz. “Se eu falar dos temas que eu falo, sem ter me montado, meu canal não teria ganhado a mesma relevância, por exemplo. A drag vem sempre primeiro.”

Para ter acesso à entrevista completa, assista ao Papo HuffPost na íntegra: