OPINIÃO
10/04/2019 02:00 -03 | Atualizado 10/04/2019 02:00 -03

'Loja de Unicórnios' tenta surfar na onda de 'Capitã Marvel', mas morre afogado

Mistura de fórmula batida com alma millennial faz do 1º filme dirigido por Brie Larson algo irritante, bem irritante.

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Não consegue fazer rir nem chorar. Loja de Unicórnios é tão perdido quanto sua protagonista.

Surfando na onda do sucesso de Capitã Marvel, a Netflix disponibilizou na última sexta (5) Loja de Unicórnios, primeiro filme dirigido pela atriz Brie Larson. Uma jogada puramente mercadológica, já que o filme foi lançado no Festival de Toronto em setembro de 2017 e ninguém tinha dado muita bola para a produção até agora.

E razões para a fria recepção por parte da crítica e do público não faltam.

Na trama, Kit (Brie Larson) é uma aspirante a artista infantiloide que ama unicórnios, mas que volta a viver com seus pais depois de levar bomba em um curso de artes. Tendo que encarar o “mundo real”, ela passa a trabalhar como temporária em uma agência de publicidade. Porém, ela passa a receber estranhos cartões convocando-a a conhecer uma misteriosa loja.

Quando ela chega ao tal local, ela é recepcionada pelo dono do estabelecimento (Samuel L. Jackson), que diz que sua loja é um lugar especial onde Kit pode finalmente realizar o seu sonho de ter um unicórnio. Mas para ser digna de receber esse presente, ela precisa provar que está preparada para a complicada tarefa que é cuidar de um unicórnio.

Loja de Unicórnios é um filme tão perdido quanto sua protagonista, que nunca sabe o que quer. Seu estilo remete ao cinema independente americano fofinho e esquisito de Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004), 500 Dias com Ela (2009), Juno (2007), Pequena Miss Sunshine (2006) e afins, mas misturado com uma alma millennial. Ou seja, é um pastiche de fórmulas batidas com algo que já é, por si só, bem irritante.

Absolutamente nada funciona no filme. Quando quer fazer rir, chorar, emplacar um romance… Nem se esforçando muito você consegue desenvolver um pingo de empatia por seus personagens.

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Versão "fofinha" de Brie Larson soa forçada.

E tudo isso para bater insistentemente na mesma tecla da mensagem tipo “você tem de ser você mesmo e seguir seus sonhos para ser feliz”, como um powerpoint motivacional de corrente. Coisa que, aliás, também já está bem fora de moda.

Comédia não é, definitivamente, a praia de Brie. Ela não tem timing cômico algum e quando quer sorrir parece um sociopata fingindo que achou graça de alguma coisa para não se sentir excluído.

Nem a ótima química que teve com Jackson em Capitã Marvel se fez presente. Talvez porque no filme da Marvel o alívio cômico era tarefa de Jackson e não de Brie, como é aqui.

No final das contas, Loja de Unicórnios parece estar no lugar certo, o do panteão de filmes genéricos (e ruins) que normalmente estreiam na Netflix às sextas-feiras.