ENTRETENIMENTO
01/02/2019 18:45 -02 | Atualizado 01/02/2019 18:56 -02

5 livros que fizeram a cabeça da redação do HuffPost em janeiro

'As Meninas', 'Fun Home', 'História do Novo Sobrenome' e mais.

Montagem/Divulgação
Quatro romances e uma graphic novel compõem a lista de leituras da redação do HuffPost em janeiro.

A redação do HuffPost Brasil abraçou o desafio de compartilhar ao longo de 2019 os livros que mais mexeram com a nossa imaginação.

No início de cada mês, você lerá por aqui depoimentos dos jornalistas e outros membros da equipe sobre suas leituras preferidas feitas no mês anterior.

A escolha e indicação das obras é de caráter pessoal e tem como objetivo estimular você, leitor, a cumprir meta de, pelo menos, um livro lido do mês.

Sinta-se convidado a participar deste combinado compartilhando no espaço de comentários informações sobre a leitura que mais te marcou no último mês.

Aproveite as dicas e boa leitura!

 

As Meninas, de Lygia Fagundes Telles

Divulgação/Companhia das Letras

As Meninas foi o meu primeiro contato com a autora e me surpreendeu muito. Já tinha ouvido falar de alguns contos dela, mas nunca tinha lido um livro - nem mesmo na escola. A narrativa de Telles é super envolvente.

Publicado em 1973, o livro conta a história de 3 jovens que devem ter 20 e poucos anos. O livro é narrado simultaneamente por Lorena, Lia e Ana Clara - em 1ª e 3º pessoa - e essa é uma das coisas mais interessantes da obra. À medida que a leitura avança, fica impossível de se perder. A voz de cada uma das personagens é tão única que nós somos capazes de identificá-las e embarcar em suas percepções de mundo, angústias e escolhas de vida. 

“Parti da realidade para a ficção. Sei que em estado bruto as minhas meninas existem, estão por aí. Como ponto de partida tomei-as assim meio informes, sem características mais profundas, os traços ainda indefinidos: vieram como nebulosas. Tomei-as e fui trabalhando em cada uma, lenta e pacientemente, sou lenta. Afinal, tudo somando, creio que durante três anos convivi intimamente com essas três”, já disse Lygia Fagundes Telles sobre as personagens.  

Ana Beatriz Rosa, editora de Comportamento

 

The Getaway, de Jim Thompson (Mulholland Books)

Divulgação/Mulholland Books

Eu adoro o filme homônimo baseado nesse livro do mestre do noir pulp Jim Thompson. Já nos últimos dias de 2018 ouvi uma edição de um dos meus podcasts preferidos sobre cinema, o The Projection Booth. Eles analisaram o filme de 1972 e falaram muito do livro e de como há muita coisa no texto do Thompson que não entrou no filme do Sam Peckinpah. Fiquei super curioso e comprei o livro, que li ouvindo simultaneamente o audiobook (coisa que adoro fazer).

O livro The Getaway é bem diferente do filme. Se por um lado gostei mais de algumas soluções do roteiro do filme, por outro a prosa eloquente e cheia de gingado e malemolência de Thompson é deliciosa. Outra coisa que chama a atenção no livro é o clima de pesadelo surreal que a história vai ganhando enquanto caminha para o seu fim em um inferno na Terra que é totalmente ignorado no filme. 

Rafael Argemon, redator sênior

 

Fun Home, de Alison Bechdel (Todavia) 

Divulgação/Todavia

Quando você descobre que o famoso Teste de Bechdel foi criado por uma quadrinista incrível, juro, é um caminho sem volta. Fun Home é o primeiro quadrinho de Alison, mas foi o segundo que eu li. Comecei por Você é Minha Mãe?. No primeiro, que ganhou o subtítulo de Uma Tragicomédia em Família, ela traz um relato melancólico e realista de sua infância e, principalmente, da relação com seu pai — construída de forma controversa, abusiva e ao mesmo tempo próxima e distante.

A relação entre eles, de certa forma, se deu por meio dos livros. Bruce, seu pai, era professor de inglês, tinha sua biblioteca particular e guardava uma personalidade misteriosa - até o momento em que Alison descobre sua homossexualidade e começa a enxergar o mesmo em seu pai. Mesclando todas as nuances que sua história traz com personagens da Odisseia, de Homero - ela compara sua mãe a Penélope sempre à espera de Odisseu, por exemplo - a escritora consegue construir uma narrativa delicada e intensa (vale observar que li o livro em dois dias). Alison era a espartana de seu pai ateniense. E acho que todos sentimos a mesma coisa em determinada proporção.

Andréa Martinelli, editora de Mulheres & LGBT

 

História do Novo Sobrenome, de Elena Ferrante

Divulgação/Biblioteca Azul

Quando percebi, eu já tinha sido sugada pela Elena Ferrante. É dela a culpa de eu ter voltado a ser uma verdadeira devoradora de livros. Li A Amiga Genial em um piscar de olhos no fim de dezembro, engatei no segundo livro (História do Novo Sobrenome) e estou para terminar o terceiro (História de Quem Foge e De Quem Fica). Ainda falta História da Menina Perdida.

Nesta tetralogia, Ferrante conta a trajetória de uma bela amizade - que se estende até a velhice - entre duas moradoras de uma Nápoles pós-guerra, miserável e dominada por máfias. Um ponto de vista extremamente feminino e desnudo dos laços que envolvem duas mulheres e seus relacionamentos com o mundo. É surpreendente ver como a educação é um fator determinante para o desenrolar da história. É sensível e inspirador. Afinal, quem nunca teve uma amiga genial?! 

 Grasielle Castro, editora de Notícias e Política

 

Nunca Vai Embora, de Chico Mattoso

Divulgação/Companhia das Letras

Cheguei até este livro depois de ler um conto de Chico Mattoso na edição da revista literária Granta, de 2012, que reúne textos dos 20 “melhores jovens escritores brasileiros”. No conto Mãe, o escritor nascido Paris e criado em São Paulo, apresenta a curiosa e envolvente história de um rapaz aficionado pela ideia da morte da própria mãe e que, quando menos espera, se vê obrigado a lidar com a concretização desse pensamento.

Lançado um ano antes da revista, Nunca Vai Embora é o segundo romance de Mattoso e traz uma narrativa com o mesmo ritmo empolgante que o conto que me pescou. O autor passou um mês em Havana a fim de criar uma história de amor entre um dentista e uma estudante de cinema - que nasce cheia de paixão no Brasil e enfrenta dolorosas turbulências às margens do mar do Caribe.

O dentista Renato Polidoro é um sujeito sem grandes ambições, que vive e trabalha à sombra do pai. Em seu consultório, ele se apaixona por Camila, uma jovem impetuosa, amante da sétima arte, que planeja fazer um documentário em Cuba. Convencido por ela, os dois viajam até à capital cubana, onde em pouco tempo vêm à tona as inseguranças, projeções e dificuldade de diálogo que minam a saúde de qualquer relação amorosa.

Amauri Terto, editor de Entretenimento