10/03/2019 10:32 -03 | Atualizado 10/03/2019 10:32 -03

As lições deixadas pelo maior evento foodie (e econômico) do país

Balanço da última edição da Restaurant Week comprova consolidação do vegetarianismo e força do lema “do campo à mesa”

Divulgação
Peixe branco do restaurante Rubaiyat, um dos restaurantes de alto tíquete médio que aderiram a Restaurant Week.

Mais de 12 cidades brasileiras abrigam, durante quase um mês, o maior evento foodie do país: a Restaurant Week. Brasília é uma das primeiras cidades a receber o evento, no qual menus em preço promocional e em três etapas são comercializados com valor que não assusta os consumidores, com “teto” máximo de R$ 68.

Na capital federal, a RW acontece há quase 10 anos. Apesar do nome, a ação ocorreu durante quase um mês, entre os dias 8 de fevereiro e 10 de março (data final válida exclusivamente para clientes Banco do Brasil). 

Divulgação
Fernando Reis, organizador da Restaurant Week no Brasil.

“Proporcionalmente, Brasília é a cidade com maior expressão dentro do Restaurant Week. Temos uma média de vendas de 2,5 mil pratos por restaurante, montante que supera São Paulo, segunda cidade do país, com 1,8 pratos. Ela se tornou uma das principais capitais dentro do circuito gastronômico brasileiro”, assegura Fernando Reis, realizador da RW no Brasil.

O terreno era arenoso quando a primeira edição aconteceu, em meados de 2009. Os festivais gastronômicos se apresentavam tão escassos quanto a oferta de menus-executivos, outra raridade à época.

Em 2019, novidades virão. Entretanto, estão guardadas “a sete chaves”. Para evitar cópias e não estragar surpresas futuras. Durante a temporada de verão, debruçamo-nos sobre mais de 60 restaurantes, em banquetes que se amalgamaram às palavras. Imagens para estimular o paladar, somadas a histórias para confortar quem vê na gastronomia uma ferramenta de transformação cultural e social.

Enquanto o segundo semestre não vem, o HuffPost Brasil elenca algumas heranças deixadas pelo evento. Aos detalhes!

Cultura dos festivais

Este ano, paralela a realização da Restaurant Week, pelos menos dois festivais com propostas parecidas (entrada, prato e sobremesa com valor em conta) vigoraram na capital. Apesar de simultaneidade das datas, os eventos não competem, mas agregam em uma cena que carece, com cada vez mais frequência, de mais opções acessíveis à mesa.

“Porém, não surgiu nada de novo após a Restaurant Week. Hoje, temos alguns eventos que são uma cópia, apenas mudando o nome”, salienta Fernando Reis.

Chic é pagar pouco

“Não existia a cultura de menu executivo em Brasília quando fizemos a primeira edição. No máximo, haviam pratos do dia”, relembra Fernando. “Hoje, quase a totalidade dos restaurantes tem o menu executivo, que nada mais é que a premissa da Restaurant Week”, recorda Fernando Reis. Ninguém discorda: pagar pouco e sair satisfeito não é mais luxo, mas obrigação dos empreendimentos.

Divulgação

O campo é atemporal

Este ano, o tema escolhido para a Restaurant Week, do Campo à Mesa, comprovou que a ligação entre produtor e chef deve ser das mais próximas. Um lema atemporal e que valoriza o pequeno agricultor brasileiro, uma espécie de herói invisível que sobrevive aos desmandos da grande indústria.

Para além de modismos, plantar e colher os próprios ingredientes também mostrou-se é viável e sustentável. Mesmo em centros urbanos como Brasília. Sem utopias. É o que fez Gabriel Albano, no Bla’s, ao inserir a costelinha suína com molho de  jabuticaba colhida do pé de uma árvore imensa que enfeita o salão, todo virado para área verde.

Sustentável é lei

Pedir canudos, veja só, pega mal, e é encarado com certa indigestão por uma “turma” cada vez maior. Antes rotineiro, o hábito ficou no passado. Em mais de 90% dos estabelecimentos visitados pela redação, o item não era oferecido.

Mais que isso, chefs e empresários como Giovanna Maia, do Loca como Tu Madre, passam a entender os resíduos orgânicos como fonte de vida - e deixam de chamá-los de “lixo”. Tudo se (re)aproveita. “Hoje, tenho novo olhar sobre o que é descartado na cozinha”, contou.

Divulgação
Nhoque ao pesto servido no Contê: bom para paladares veggies.

Carnívoros, tremei

Uma das observações mais importantes da primeira temporada do evento: todos os menus continham alguma opção vegetariana. Aposta certa, receitas como espaguete de legumes e risoto de cogumelos conquistaram até quem não abandonou a carne vermelha.

No Contê, por exemplo, nhoque ao pesto fez a alegria do time veggie e também de reducetarianos (como tem sido chamados quem reduz o consumo de carne vermelha, mas não a aboliu por completo da dieta).

Cartas na mesa

Algo que “botamos reparo” para além do menus da Restaurant Week: as cartas de bebida já não se limitam ao vinho, velho conhecido dos brasilienses. Cerveja, uísque, gim e até rum ganham um menu próprio. Um importante incremento para a cadeia gourmet, que vai além dos alimentos. Com moderação, a bebida correta é capaz de elevar exponencialmente a experiência gastronômica.

Serviço  
Restaurant Week Brasília 2019
Até 3 de março para público geral / Até 10 de março para clientes Banco do Brasil com Ourocard
Menu em três etapas a R$ 43,90 (almoço) e R$ 54,90 (jantar). No menu Plus, R$ 55 (almoço) e R$ 68 (jantar). Ao valor final da conta pode ser somada a doação de R$ 1, revertido à ONG Amigos da Vida
Confira cardápios e todas as casas participantes neste link.