LGBT
23/06/2019 19:36 -03 | Atualizado 24/06/2019 07:08 -03

Jovens calouros na Parada LGBT pregam resistência ao conservadorismo

"Pra mim é momento de luta. A gente junto é mais forte", diz Carolina Oliveira, de 20 anos, que foi à sua primeira Parada neste ano.

Para muitos jovens, o primeiro ano da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo no governo Bolsonaro também foi a primeira Parada de suas vidas.

Em meio à curiosidade e à empolgação, os jovens também deixavam claro que a ideia de participar de um evento como esse era mostrar resistência diante do conservadorismo - e celebrar a diversidade. 

VICTOR GOUVÊA/ ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
“Pra mim é momento de luta. A gente junto é mais forte. Estou tentando não ficar tensa”, afirma Carolina Oliveira, de 20 anos.

“Pra mim é momento de luta. A gente junto é mais forte. Estou tentando não ficar tensa”, disse Carolina Oliveira, de 20 anos, que disse que sempre quis ir à Parada, mas nos outros anos “estava casada”. “Sou super LGBT, então estou aqui.”

Ela diz que a família nunca aceitou sua orientação sexual. “A aceitação da sociedade não muda pra mim porque minha família é muito preconceituosa. Fui morar sozinha com 16 anos. Esse movimento todo está começando a deixar melhor a aceitação na família, na verdade”, diz.

Na casa de Thais Assis, de 18 anos, a história foi bem diferente. O fato de a mãe ser casada com uma mulher obviamente não fez da escolha de Thais um grande problema, mas a aceitação também não foi imediata.  

VICTOR GOUVÊA/ ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
"Eu não volto pro armário. Não vou deixar de ser quem eu sou por causa de gente homofóbica”, disse Soraia Maurício, de 22 anos (à esq.), ao lado da amiga Thais Assis, de 18 anos.

“Sempre cresci sabendo e tendo o exemplo dentro de casa. Pra mim foi difícil porque minha mãe achava que estava influenciando minha sexualidade, então ela teve dificuldade de aceitar também”, disse.

Ao lado da amiga Soraia Maurício, de 22 anos, a jovem disse se sentir “muito livre” na Parada. “Não tem olhares de críticas, a gente se sente bem.”

Soraia, que se define como pansexual, diz “amar as pessoas, não os gêneros”. “Cresci numa situação muito difícil porque meus pais são evangélicos. Quando completei 18 anos resolvi lutar pelo que eu gostava. Eu não volto pro armário. Não vou deixar de ser quem eu sou por causa de gente homofóbica”, afirmou. 

Na visão de Soraia, essa é hora de “se assumir”. “Especialmente nessa parada a gente vai gritar que só quer aceitação e respeito. Sou muito contra rótulos. Eu sou o que? Sou ser humano.”

A amiga concorda: “Se o Bolsonaro não aceita, não vai mudar o fato de quem eu sou. Não tem volta.”

Para Douglas Felipe, de 18 anos, que mora em Itaquá, perto de Suzano, essa já foi a quarta Parada. “Sou assumido desde os 16 anos para a minha família. Minha mãe, no começo, não aceitou, mas depois ficou numa boa.”

VICTOR GOUVÊA/ ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
"Hoje estou aqui linda e plena e vou arrasar”, disse Douglas Felipe, de 18 anos, que está em sua quarta Parada.

Ele disse que, no começo, tinha medo de ir à Parada e sofrer agressões no caminho. “Mas hoje estou aqui linda e plena e vou arrasar”, brincou. “Pra mim é normal ter medo de morrer. A gente tem medo, mas não pode ter, porque um dia vou morrer mesmo então vou continuar sendo o que eu sou.”

O pernambucano William Oliveira, de 18 anos, por sua vez, disse estar empolgado em participar pela primeira vez da Parada em São Paulo, para onde se mudou há 4 meses. 

“Pra mim é muito importante vir para conhecer a diversidade de perto. Eu só via na televisão, na internet”, disse. ”É a primeira Parada que venho. É tudo muito novo pra mim, e está sendo muito bom, ainda que o momento não seja bom.”

VICTOR GOUVÊA/ ESPECIAL PARA O HUFFPOST BRASIL
"Pra mim é muito importante vir para conhecer a diversidade de perto. Eu só via na televisão, na internet", diz o pernambucano William Oliveira.
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