A metáfora de Lenine sobre o significado do casamento é uma reflexão necessária

"Casar é uma pequena variação de morrer", explica cantor de 60 anos casado há 40 com a jornalista Anna Barroso.
O cantor Lenine e a produtora Anna Barroso.
O cantor Lenine e a produtora Anna Barroso.

São nos dias como o de hoje que a gente entende por que gostamos de estar presentes nas redes sociais. Um vídeo de uma conversa aparentemente despretensiosa entre Lenine, Fabio Porchat, Chico Bosco, João Vicente e Emicida cruzou o meu caminho, ou melhor, o meu feed. O tema? Casamento.

Fosse em outra época da vida, ele não teria me impactado. Acontece que tenho 20 e poucos anos e quero me casar. Isso. Assim mesmo. Contrariando todas as tendências da geração millennial.

No vídeo em questão, Lenine, do alto de seus 60 anos, conta que teve a sorte de encontrar a sua parceira muito cedo. Casado há 40 anos com a jornalista Anna Barroso, com quem tem 3 filhos, o discurso do cantor tinha tudo para enveredar por aquela narrativa idealizada do clichê do relacionamento romântico. Mas Lenine atravessa a sua fala com algo que parece muito simples de entender, mas são naquelas “horinhas de descuido”, como nos conta Guimarães Rosa, que você realmente compreende. Nunca foi sorte. Sempre é uma construção.

″É um anzol que você joga e que você precisa saber como lidar com esse peixe”, diz o cantor.

“Você só constrói junto. Meu pai me dizia algo que era mais ou menos assim: se você não entender que casar é uma pequena variação de morrer, não case. Eu entendo isso hoje depois de todos esses anos dividindo minha vida com alguém. Eu estive para morrer em tantos momentos da minha vida, sim, mas nós também construímos tanta coisa juntos”, completou Lenine, orgulhoso.

Por um lado, eu realmente acho incrível quem decide se casar. Mas algumas vezes isso soa como uma decisão completamente estúpida.

Por um lado, querer celebrar o seu amor com todos aqueles que você ama deve ser uma das melhores homenagens que alguém pode viver. Mas jurar amor eterno e ininterrupto a alguém soa mais como uma frase daquelas propagandas apenas para vender festas e convites de casamento.

Por um lado, o amor é sempre um bom motivo para festejar. Mas às vezes penso que uma conta bancária sem boletos para quitar é muito mais divertida.

Por um lado, eu sempre me emociono nos casamentos para os quais sou convidada. Mas também não é raro eu me emocionar com vídeos de filhotes brincando no feed do meu Instagram.

Por um lado, talvez as tradições ainda existam por algum motivo que mereçam ser vividos. Mas também é preciso refletir sobre qual foi o momento de vida que o ser humano passou a olhar a monogamia como a única forma de se relacionar.

Por um lado, acho que o dia do meu casamento talvez seja um dia do qual eu nunca me esquecerei. Mas também não quero que seja o ápice da minha vida. Ou o único objetivo que eu tenha a perseguir para me sentir completa e feliz.

Por um lado.... <3<3<3 .... Mas também ?????????...

Calma. Respira.

Mais adiante, na conversa, o músico e escritor Francisco Bosco complementa a reflexão de Lenine. De acordo com ele, as pessoas costumam associar a ideia do casamento à prisão. (O que faz todo sentido para a minha geração. Como assim escolher apenas uma pessoa, se você vive na era do Tinder?)

Mas algo que ele fala fez muito sentido, pelo menos para mim. Que momento bonito da vida deve ser este em que você finalmente percebe que liberdade não necessariamente tem a ver com o excesso de escolhas. Mas, sim, tem a ver com a clareza de se viver de acordo com o seu desejo.

E sem a ingenuidade do “felizes para sempre”. Mas com a decisão do “felizes enquanto há vontade de construir”.