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04/03/2019 13:24 -03

Bolsonaro anuncia Lava Jato da Educação contra 'fábrica de militantes políticos'

Série de tweets ocorre uma semana depois de MEC pedir para diretores gravarem alunos cantando Hino Nacional.

ASSOCIATED PRESS
Frente anunciada por Bolsonaro será formada por Ministério da Justiça e Polícia Federal, sob comando de Sérgio Moro (à direita).

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta segunda-feira (4) uma frente interministerial para investigar os gastos com educação no País. Pelo Twitter, ele comunicou a criação da “Lava-Jato da Educação”, somando os esforços do Ministério da Educação, do Ministério da Justiça, da Polícia Federal e da CGU (Controladoria-Geral da União). 

Bolsonaro diz que “há algo de muito errado” ao comparar o gasto que o Brasil tem com educação, em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), e o desempenho de seus estudantes no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos).

Em um grupo de 70 países avaliados, o Brasil amargou as últimas posições em ciências (65º), matemática (63º) e leitura (58º) no Pisa de 2015.

Bolsonaro sugere que há um descompasso entre a aplicação de recursos e “as prioridades a serem ensinadas” nas escolas. Segundo ele, a “Lava-Jato da Educação” já tem seus primeiros resultados que trazem “indícios muito fortes que a máquina está sendo usada para manutenção de algo que não interessa ao Brasil”.

Em um tweet publicado horas mais tarde, o presidente deu uma pista do que não seria de interesse do País: a “agenda globalista”. 

O termo “globalismo” é usado à exaustão pelo guru de Bolsonaro, Olavo de Carvalho, filósofo que é inspiração do ministro da Educação, Ricardo Vélez-Rodríguez, e do chanceler Ernesto Araújo, responsável pelo Itamaraty. De acordo com Olavo, o globalismo é um “processo revolucionário” que envolve não apenas as estruturas de poder, mas a educação, a moral e até a alma humana.

Na visão de Olavo, o globalismo utiliza ideias que seriam caras aos liberais e conservadores — como o livre comércio — como um instrumento para destruir as soberanias nacionais.

Bolsonaro sugere que a educação brasileira está pautada pelo globalismo e seu propósito divisivo, de rachar a sociedade:

Bolsonaro afirma que seu governo pretende “impedir o avanço da fábrica de militantes políticos”, que estaria ocorrendo hoje nas escolas, para formar cidadãos no lugar. 

Ele acredita que a Lava-Jato da Educação poderá ser seguida de “greves e movimentos coordenados” de servidores contra as investigações.

Hino e slogan nas escolas

A série de tweets de Bolsonaro ocorre exatamente uma semana depois de o MEC (Ministério da Educação) disparar e-mail para escolas públicas e particulares pedindo a diretores para filmar alunos cantando o Hino Nacional. Anexo ao e-mail, havia uma carta do ministro Vélez-Rodríguez que deveria ser lida para os estudantes.

Na carta, o ministro utilizava o slogan da campanha de Bolsonaro: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Após repercussão negativa do e-mail, o ministro da Educação recuou e desistiu do pedido.

Em reação à carta do MEC, estudantes criaram a campanha #MinhaEscolaDeVerdade. A intenção é colher nas redes de alunos e professores vídeos que denunciem as condições precárias dos colégios no País.