OPINIÃO
27/07/2019 06:00 -03 | Atualizado 27/07/2019 06:00 -03

'La Casa de Papel': Por que, mesmo ruim, não conseguimos parar de assistir?

Nova temporada da série espanhola confirma que ela segue reinando como nosso "guilty pleasure" preferido desde 2017.

Desde que chegou ao catálogo da Netflix, no Natal de 2017, sabemos que La Casa de Papel é brega, cheia de diálogos estapafúrdios, buracos no roteiro, personagens tomando decisões sem o menor sentido e atores ruins. Mas, por algum motivo que nossa vã filosofia falha em explicar, não conseguimos parar de assistir à série.

Bom, na verdade, sabemos.

Mesmo com todo o banho de loja que a série espanhola ganhou depois que se tornou um produto exclusivo da plataforma de streaming mais poderosa do mundo (por enquanto), La Casa de Papel mantém sua alma de novelão latino intacta.

Com mais dinheiro no caixa e sob nova direção, a trama ganhou em ação e agora se passa em diversas locações deslumbrantes espalhadas pelo mundo. Mas são os dramalhões entre os integrantes da quadrilha chefiada pelo Professor (Álvaro Morte) que realmente impulsionam a trama e que a mantêm nos corações de seus fãs.

Isso mostra porque La Casa de Papel é tão adorada na América Latina e na Turquia, públicos que amam uma “novela mexicana”.

A terceira parte da série se passa três anos depois do famoso assalto à Casa da Moeda da Espanha.

Rio (Miguel Herrán) vive com Tóquio (Úrsula Corberó) em uma pequena ilha paradisíaca no Panamá. Até que ela não aguenta mais o tédio do paraíso e vai passar uma temporada curtindo na cidade. Nesse meio tempo, Rio é capturado pelas autoridades espanholas, e Tóquio recorre ao Professor para resgatar o seu amado.

O chefe da quadrilha reúne o resto do bando em sua casa na Tailândia, onde vive com a ex-policial Raquel Murillo (Itziar Ituño) — agora assumindo o codinome Lisboa, mesmo que todo mundo saiba o seu nome — e sua família. Mas para resgatar Rio, ele terá de chamar a atenção de toda a Espanha. Para isso, usa um plano antigo de Berlim (Pedro Alonso) e seu antigo parceiro Palermo (Rodrigo De la Serna).

Divulgação
Nairobi (Alba Flores) instaura o matriarcado, mas some da série.

Se você espera algo novo, esqueça. Não há muita novidade na nova história do Professor e sua gangue a não ser nomes novos como Bogotá (Hovik Keuchkerian) e Marselha (Luka Peros), que não acrescentam praticamente nada à trama. Palermo, sim, tem um papel maior, mas aqui é apenas um substituto para Berlim como o lunático do grupo, só que na versão gay.

Outra substituição aconteceu na polícia. Sai a Inspetora Murillo e entra Alicia Sierra, uma versão mais malvada e que trocou o lápis para segurar o cabelo de Raquel por um pirulito. 

O Professor continua tendo de improvisar em seus “planos infalíveis”, mas agora em uma eterna DR com Lisboa (gente, por que esse codinome?!), enquanto Denver (Jaime Lorente) e Mônica/Estocolmo (Esther Acebo) também repensam relação e Tóquio segue fazendo besteiras.

Mas o grande problema é a quase ausência de Nairobi (Alba Flores), uma das melhores personagens da temporada anterior que aqui aparece em alguns poucos (mas marcantes) momentos. Um desperdício.

No entanto, o que isso importa para os verdadeiros fãs de La Casa de Papel? Lágrimas e sangue seguem escorrendo por cada frame da série, com os bônus de um visual mais caprichado e uma ótima trilha sonora que não fica apenas em Bella Ciao.