ENTRETENIMENTO
10/02/2019 01:00 -02 | Atualizado 10/02/2019 10:20 -02

Kondzilla, o dono da @#$% toda: Produtor leva a periferia a diversas áreas da comunicação

Criador do 3º maior canal de música do mundo, marca de roupas e prestes a lançar uma série na Netflix, Kond quer mais, muito mais.

Divulgação/Instagram/@kond
Produtor musical e empresário Konrad Dantas é fundador do canal Kondzilla, o maior sucesso do Brasil no YouTube.

Dono do 3º maior canal de música do mundo no YouTube, com mais de 46 milhões de inscritos, o produtor musical e empresário Konrad Dantas (30 anos) ou Kond, como prefere ser chamado, espalha seus tentáculos da periferia do Guarujá (SP) para o mundo.

Reconhecido por “legitimar” um gênero musical antes marginalizado por meio de clipes de artistas como MC Guimê, MC Kevinho e MC Fioti, Kond é fundador de uma holding de comunicação que engloba a KondZilla Filmes e a KondZilla Wear (marca de roupas que espelha a cultura periférica), além de um portal de comportamento que está prestes a completar 2 anos de existência.

Mas ele quer ainda mais.

Finalizando uma série sobre funk e periferia para a Netflix, ele também foi anunciado nesta sexta-feira (8) como diretor criativo da marca vodca Orloff, rótulo da gigante francesa Pernod Ricard.

E olha que tudo começou com uma simples câmera na mão na periferia do litoral paulista - que comprou com o seguro de vida da mãe, morta em 2008 - e muitas ideias na cabeça.

Em entrevista ao Huffpost Brasil, Kond falou sobre essa nova fase de sua eclética carreira e sobre a voz da juventude periférica, que segundo ele, já começa a se ver retratada pelo establishment.

HuffPost Brasil: Por que você começou a fazer clipes de funk?

Kondzilla: Eu sempre tive muito claro na mente que eu iria mudar de vida, que seria reconhecido, que teria uma vida confortável através da arte. Sabia que não conseguiria passar no vestibular da ECA ou da PUC. Mas através de qual arte? Da música. Sempre tive isso muito claro comigo. Não sei cantar, não sei fazer um arranjo… Não sei nem tocar instrumento nenhum. Mas não via essas coisas como barreiras. O caminho que eu desenvolvi na música foi cercando tudo ao redor da música. Filmando clipes e trabalhando como executivo, tudo que podia fazer ao redor da música sem ser um músico. E sempre conversando com os jovens. Eu sou um comunicador. Um comunicador que respeita muito o público e tenta se conectar com ele diretamente, trazer a mensagem que o jovem quer assistir, ler, consumir.

Foi por conta do potencial desse público que você diversificou suas atividades?

Sim. Como o portal de comportamento, por exemplo. Ele é o veículo pra gente entregar as outras mensagens que não são apenas música. O que é que está faltando para esse target [público]? Estão faltando outros tipos de mensagem, que a gente entende hoje que é comportamento. A música foi um meio mais rápido para conseguir viver com um pouco mais de conforto. Mas esse momento chegou. E como eu vou devolver isso para o universo? Como devolver isso para o público que apoiou nosso trabalho? A gente tem que entregar outro tipo de mensagem também. Minha missão de vida é contribuir para a transformação das pessoas. Ajudando elas a se transformar. Ser o meio para que elas se transformem.

Não me preocupo em manter o canal no topo. Já cheguei lá. Já conquistei aquilo. O que eu quero agora é desbravar outro território.

Mas tudo isso não acaba atrapalhando a atividade pela qual você é mais conhecido? Você não sente uma pressão enorme tendo que se manter com o maior canal brasileiro do YouTube?

Ser diretor de cena é uma das minhas atividades. Ser empresário é uma das minhas atividades. Escrever roteiro é outra das minhas atividades. Acho que a atividade que consegue sintetizar isso tudo é ser diretor de criação.

Divulgação
Kond nas filmagens de um de seus clipes.

Não é dirigir um clipe?

Me vejo como um comunicador, e este momento representa muito isso. Não imaginava chegar a este ponto, mas acabei construindo e se desenvolvendo ao longo do meu caminho. Esse era o meu objetivo. Se a marca é minha, eu poderia me dar o título que eu quisesse para mim. Ser o diretor de criação de uma marca que não é minha, que tem uma diretoria da qual eu não faço parte é outra coisa. É uma outra responsabilidade. É um reconhecimento que eu queria. Quero comunicar de um jeito legítimo, essa comunicação precisa gerar um resultado. Se eu não entregar um resultado, minha contratação não será justificada.

Com que artista que você não trabalhou e sonha em trabalhar?

Eu quero trabalhar com quem quer trabalhar comigo. Quem não quer trabalhar comigo eu não faço questão. Todos os artistas, todas as pessoas, todas as companhias que quiseram, que escolheram, que tomaram a decisão de trabalhar comigo, eu trato com muito carinho. Foi uma escolha deles. Entre todas as possibilidades que eles tinham, eles me escolheram. Então eu tenho que devolver esse carinho.

 

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Kond foi anunciado como diretor de criação de multinacional francesa da área de bebidas.
Se depende só de você, não existe o impossível.

Como você se vê daqui 10 anos?

Me vejo em um momento como estou hoje, trabalhando em uma corporação multinacional. Esse momento chegou antes que eu imaginava. Era algo que eu pensava já, mas está acontecendo agora.

Que tipo de conselho você daria para um jovem que vê na ascensão de profissionais que saíram da periferia um exemplo para conseguir alcançar seu sonhos?

Se depende só de você, não existe o impossível. Desde que dependa só de você. Se depender da decisão de outras pessoas, aí você vai ter de convencer essas pessoas. Ou melhor, apaixonar essas pessoas. Não convencer, mas apaixonar. Elas precisam acreditar no sonho junto com você. Caminhar juntos com você no seu sonho.