ENTRETENIMENTO
11/09/2020 09:29 -03

'Que p... eu estava fazendo?', diz Kate Winslet sobre trabalhos com Woody Allen e Polanski

"Tenho que assumir a responsabilidade pelo fato de ter trabalhado com os dois. Não posso voltar no tempo", disse a atriz à Vanity Fair.

Evan Agostini/Invision/AP
Kate Winslet em uma exibição do filme "Roda Gigante", de Woody Allen, em 2017.

Em uma nova entrevista sincera para a Vanity Fair sobre um ponto de virada em sua carreira, Kate Winslet expressou arrependimento por ter trabalhado com o acusado de abuso sexual Woody Allen, e Romam Polanski, indiciado pelo estupro de uma menor em 1977 e desde então foragido dos Estados Unidos.

A vencedora do Oscar uma vez causou um pouco de polêmica por delirar sobre a “extraordinária experiência de trabalho” que teve com os dois diretores depois de estrelar o filme de 2017 de Allen Roda Gigante, e Deus da Carnificina, adaptação de Polanski para a tela da peça de mesmo nome em 2011.

“É tipo, o que p... eu estava fazendo trabalhando com Woody Allen e Roman Polanski?” ela disse à revista em um artigo publicado nesta quinta  (10).

“É inacreditável para mim agora como aqueles homens foram tidos em tão alta consideração na indústria cinematográfica por tanto tempo”, acrescentou ela. ”É vergonhoso. E tenho que assumir a responsabilidade pelo fato de ter trabalhado com os dois. Eu não posso voltar no tempo. Estou lutando contra esses arrependimentos, mas o que temos se não somos capazes de ser apenas verdadeiros sobre tudo isso?”

Winslet foi movida a falar porque, como ela colocou, “a vida é curta e eu gostaria de fazer o meu melhor quando se trata de dar um exemplo decente para mulheres mais jovens.”

Todd Williamson via Getty Images
“É inacreditável para mim agora como aqueles homens foram tidos em tão alta consideração na indústria cinematográfica por tanto tempo”, disse Winslet (centro) sobre Allen (dir.) e Romam Polanski.

Por décadas, a filha de Allen, Dylan Farrow, acusou seu pai de abusar sexualmente dela quando criança. Allen negou repetidamente suas acusações.

Polanski se confessou culpado de estupro de uma garota de 13 anos como parte de um acordo judicial em 1977, e então fugiu do país antes de ser sentenciado. Desde então, outras mulheres o acusaram de estuprá-las quando ainda eram menores.

Depois de elogiar repetidamente Allen na imprensa, apesar do crescente escrutínio que recebeu durante o movimento #MeToo (“Ele entende as personagens femininas que cria excepcionalmente bem”, ela disse uma vez), Winslet aparentemente mudou de idéia.

Enquanto estava no palco do London Film Critics ’Circle Awards, em 2018, uma emocionada Winslet reconheceu as “decisões erradas” que ela tomou ao trabalhar com certos indivíduos, mas não mencionou nenhum nome.

“Existem diretores, produtores e homens de poder que há décadas são premiados e aplaudidos por seu trabalho altamente considerado, tanto por esta indústria quanto pelos cinéfilos. De fato, muitos atores tiveram carreiras florescentes devido em parte aos papéis desempenhados em seus filmes”, disse Winslet na cerimônia. “A mensagem que recebemos durante anos foi que era o maior elogio oferecido por esses homens.”

Ela acrescentou: “Enquanto mulheres de todo o mundo e de todas as esferas da vida marcharam no último fim de semana, mais uma vez se unindo para falar sobre assédio, exploração e abuso, percebi que não seria capaz de ficar aqui esta noite e cumprir a mim mesmo, alguns pesares amargos por ter tomado decisões erradas de trabalhar com pessoas com quem eu gostaria de não ter trabalhado.”

Winslet fez os comentários depois que Dylan Farrow a repreendeu diretamente, junto com outras atrizes, incluindo Blake Lively e Greta Gerwig, por continuar a apoiar o cineasta.

Agora, disse Winslet, ela está pensando mais criticamente sobre os papéis que assume, seu lugar na indústria do entretenimento e o legado que está deixando para trás. “Estamos entregando a eles um mundo bem ferrado, então gostaria de fazer minha parte para ter alguma integridade.”

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.