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06/02/2020 19:39 -03

‘Por ora’, Justiça rejeita denúncia contra Glenn Greenwald

Juiz sustentou sua decisão em liminar do STF que proíbe apurações sobre como o jornalista teve acesso a mensagens hackeadas.

Lia de Paula/Agência Senado
O jornalista Glenn Greenwald foi acusado de organização criminosa, lavagem de dinheiro e interceptação telefônica.

A Justiça rejeitou, “por ora”, a denúncia contra o jornalista Glenn Greenwald. Em decisão desta quinta-feira (6), o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal em Brasília, afirmou que há indícios de conduta criminosa, mas optou por afastar a denúncia com base em liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes no ano passado.

A decisão provisória do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) proíbe apurações sobre como Glenn teve acesso a mensagens hackeadas.

Outros seus denunciados no caso se tornaram réus. São eles: Walter Delgatti Netto e Thiago Eliezer Martins Santos — considerados mentores do crime — , além de Danilo Cristiano Marques, Gustavo Henrique Elias Santos, Luiz Henrique Molição e Suelen Oliveira.

O grupo, assim como Glenn, foi acusado pelo Ministério Público Federal de organização criminosa, lavagem de dinheiro e interceptação telefônica.

Na denúncia do MPF, o procurador Wellington Divino Marques de Oliveira, afirma que Greenwald teve “participação direta nas condutas criminosas”.  Os hackers acessaram conversas do aplicativo Telegram de autoridades como o ministro da Justiça, Sergio Moro, e o coordenador da força-tarefa da Lava-Jato de Curitiba, Deltan Dallagnol.

Greenwald não tinha sido indiciado pela Polícia Federal, mas para o MPF, provas coletadas na investigação demonstram que ele, “de forma livre, consciente e voluntária, auxiliou, incentivou e orientou, de maneira direta, o grupo criminoso, durante a prática delitiva, agindo como garantidor do grupo”.

Quando a denúncia foi apresentada, no último dia 21, o jornalista disse que não seria intimidado por “autoridades abusando de seu poder”, que continuaria exercendo a profissão e considerou a denúncia um ataque à liberdade de imprensa. Ele gravou dois vídeos, um em inglês e um em português.

No vídeo em inglês, Greenwald diz que a acusação veio do governo Bolsonaro (apesar de vir do MPF) e afirmou que integrantes do governo “simplesmente não acreditam em imprensa livre”, nem em democracia e, repetidamente, enaltecem a ditadura. Ressaltou também que a Polícia Federal já havia concluído que ele não tinha participado em nenhuma ação criminosa.