COMPORTAMENTO
01/08/2019 18:36 -03

Como o judô mudou a vida do campeão David Moura

"Só quem tem um projeto social sabe como é ver o sorriso das crianças falando que querem ser como você".

Divulgação

Quem vê o judoca David Moura se preparando para representar o Brasil nas principais competições internacionais não imagina que, apesar de ter nascido em uma família de judocas, ele não via a modalidade como primeira opção de carreira. Mas a decisão que tomou já aos 20 anos abriu as portas não apenas para uma trajetória vitoriosa, como também mudou a sua perspectiva sobre o significado do esporte na vida das pessoas.

Ao retornar ao Brasil em 2015, como campeão dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, naquele ano, (repetindo o feito do pai, o judoca Fenelon Oscar Muller), David entrou em contato com um projeto social esportivo pela primeira vez. Ao ver a dedicação de uma atleta voluntária para ensinar o esporte às crianças, David decidiu que deveria fazer ainda mais pelo esporte que trouxe tantas alegrias à sua família.

Pouco depois, ele abriu seu próprio projeto social em Cuiabá (Mato Grosso), sua cidade natal. A iniciativa chamou a atenção do amigo, ídolo e treinador de David, o medalhista olímpico Flávio Canto, criador do Instituto Reação. “A gente tocou esse primeiro projeto de maneira pequena, dentro de uma igreja. Eu pagava do meu bolso. Mas sempre fui amigo do Flávio Canto e um dia ele veio para Cuiabá. Ele gostou do projeto, viu nossas necessidades e então começamos a pensar em trazer o Reação para a cidade. Era uma oportunidade maravilhosa de ajudar ainda mais pessoas”, relembra David.

Ele comanda hoje o único polo do Instituto Reação fora do Rio de Janeiro. Apaixonado por Cuiabá, ele vê o projeto como uma forma de incentivar a modalidade em uma região com poucas opções de prática de esporte. Além disso, competindo com as cores do instituto idealizado por Flávio Canto, que o treinou e o incentivou em sua carreira profissional, ele traz ainda mais visibilidade para a causa, retribuindo o apoio.

Essa parceria ganhou um reforço de peso: o apoio da BV, que possibilitou a construção de uma nova sede para o polo cuiabano, a ser inaugurada em agosto, que contará com um tatame de 150 metros quadrados, vestiários, salas de aula e de administração. Com isso, a projeção é que mais de 500 crianças atendidas pelo projeto sejam beneficiadas.

“Sonhar é bonito, mas quando se trata de realizar, precisamos de material. A gente está construindo uma grande estrutura para atender à criançada e, graças à BV, isso está sendo possível. Somos muito gratos e acho que uma empresa tão bem-sucedida dar esse exemplo pode influenciar outras grandes empresas a fazer isso em outros lugares”, acredita.

O impacto dessa união de forças já vai além do esporte. Emocionado, David relembra o caso de uma família que encontrou no judô um motivo para continuar unida após o suicídio do pai: “Para nossa surpresa, na semana seguinte ao que aconteceu, os dois irmãos, uma menina e um menino, estavam no projeto treinando, acompanhados pela mãe. E nos disseram que era o judô que estava ‘segurando as pontas’ da família. Isso foi muito marcante, mostrou a importância de manter o projeto e ampliar, se possível, o alcance desse esporte maravilhoso”.  

Esse ciclo virtuoso de boas ações se reflete também na carreira de David, que defendeu seu título pan-americano em Lima, em julho. Em agosto, ele disputa o Campeonato Mundial, em Tóquio, uma preparação para a competição olímpica de 2020, também na capital japonesa.

“Só quem tem um projeto social sabe como é ver o sorriso das crianças falando que querem ser como você. São coisas que dão força nas horas difíceis. Quando você tem uma coisa bonita por trás, a gente não luta só pelo resultado, mas também por algo maior”, conta o atleta, que tem o sonho de incluir uma medalha olímpica entre suas conquistas: “Toda vez que penso nos resultados que ainda podem vir, eu vejo que podem ajudar o projeto”.