MULHERES
08/05/2020 06:00 -03

Meu mundo caiu quando a pediatra disse que meu filho mais novo tinha deficiência intelectual

O 7º depoimento do projeto "Prazer, Sou Mãe" é da manicure Juceli da Silva, que revela temperança para encarar as batalhas para o tratamento do caçula e o apoio ao primogênito.

Divulgação/Arquivo Pessoal
Juceli é uma mãe que luta com todas as forças pelo bem-estar dos filhos.

Tenho 2 filhos. O Lucas, meu primogênito, nasceu quando eu tinha 22 anos. Foi tudo lindo – uma emoção que eu jamais sentira antes. Depois de 5 anos, engravidei novamente e nasceu o Breno. O que eu senti foi aquela emoção maravilhosa de ser mãe pela segunda vez.

Mas o tempo foi passando e eu fui percebendo que ele era diferente do irmão. Demorou mais para sentar, para falar, para andar... Eu, sempre preocupada, falava com o pediatra, que me dizia: “Ninguém é igual”. E ele também falava para eu não ficar comparando o desenvolvimento de um filho com o outro. 

Depois de um tempo, resolvi mudar de pediatra. E o outro falou a mesma coisa que o primeiro. Mesmo não ficando satisfeita - pois percebia algo de diferente no meu filho -, deixei passar o tempo até que ele começou na creche, com 3 anos de idade. A professora me alertou, confirmando as minhas suspeitas: meu filho era diferente.

A partir daquele momento nasceu uma nova mãe. Uma mãe que tinha que lutar, ajudar seu filho e não sabia por onde começar. Até que uma pediatra me encaminhou para o Hospital São Paulo. Foram muitas madrugadas em filas de esperas, muitas lutas até conseguir um diagnóstico: “Ele é deficiente intelectual, não vai conseguir nem se alfabetizar”, disse o médico. 

Meu mundo caiu. Mas por pouco tempo, pois uma nova batalha se iniciava: buscar diferentes terapias para o meu filho.

Meu mundo caiu. Mas por pouco tempo, pois uma nova batalha se iniciava: buscar diferentes terapias para o meu filho. Foram inúmeras, e eu o levava em todas, intercalando com o meu trabalho de manicure, afazeres de casa e cuidados com o meu filho mais velho.

Estava tudo caminhando quando o pai dos meus filhos decidiu ir embora para a Bahia. Na época eu poderia ter ido junto ou ter deixado o meu filho mais velho ir morar com o pai — segundo ele, eu teria menos despesas aqui em São Paulo apenas com o mais novo. 

Não aceitei. Claro que decidi ficar em São Paulo com os meus 2 meninos e continuar investindo nos diferentes tratamentos para o meu filho. E também me empenhei e me empenho até hoje para ser uma boa mãe para o meu mais velho, que ficou comigo e desde pequeno se mostrou muito parceiro. Inclusive nos seus momentos de silêncio.

Hoje, o Breno tem 17 anos e está em processo de alfabetização. Estuda em uma escola especializada e é um garoto feliz. O Lucas está com 22 anos, trabalha no que deseja e continua sendo um garoto muito solidário. 

Eu tenho aprendido a cada dia que ser mãe é lutar pelos filhos enquanto eu viver. Deus me deu o Breno para me ensinar o que é ser mãe... Hoje sou muito mais forte. Quando tenho que fazer alguma coisa pelos meus filhos, não vejo obstáculos. Vou à luta. Tudo por eles!

Enquanto eu respirar vou amar e cuidar dos 2, com muito prazer.

Juceli da Silva é a dona do 7º depoimento do projeto Prazer, Sou Mãe. Ela tem 44 anos, é natural da Bahia e mora em São Paulo. Mãe de Lucas e Breno, é manicure e trabalha como autônoma há mais de 10 anos, em sua casa. Assim tem mais flexibilidade de horário para levar seu caçula ao médico quando precisa.