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O que pensam os millennials sobre a possibilidade de uma nova guerra mundial

Pesquisa do Comitê Internacional da Cruz Vermelha indica que a geração mais jovem está desconfortável com a escalada das tensões em todo o mundo. E há uma clara diferença entre aqueles que vivem em situação de guerra ou na iminência de um conflito.
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O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) realizou a pesquisa “Os Millenials e a Guerra”.

A depender da sua localização geográfica e classe social, a possibilidade de vivenciar uma guerra é algo mais ou menos distante. E se você é jovem, este é um pensamento que pode atravessar com alguma frequência a sua rotina.

O que pensam os jovens da Síria sobre os conflitos? Será que os adolescentes ucranianos conversam sobre armas nucleares? Como deve ser para o jovem afegão falar sobre a guerra?

Ao longo de 2019, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) realizou a pesquisa “Os Millenials e a Guerra”, em que ouviu as opiniões de 16 mil pessoas de 20 a 35 anos de 16 países — 8 em situação de conflito armado e 8 em situação de paz. O relatório foi publicado nesta quinta-feira (16).

De acordo com o CICV, o recorte etário se fez necessário para compreender como os futuros líderes e tomadores de decisão enxergam as perspectivas sobre os conflitos.

Os resultados indicam que a geração mais jovem está, no mínimo, desconfortável com a escalada das tensões em todo o mundo. E há uma clara diferença entre aqueles que vivem em situação de guerra ou na iminência de um conflito.

Para boa parte dos jovens que vivem em países como Síria, Afeganistão e Ucrânia, no futuro, as guerras diminuirão ou desaparecerão, em comparação com os entrevistados que vivem países em paz (46% contra 30%, respectivamente).

As respostas dos países em guerra também refletem um alto grau de esperança: 69% dos entrevistados ucranianos pensam que a guerra em seu país provavelmente terminará nos próximos 5 anos.

E, segundo uma grande parcela dos entrevistados (73%), os cuidados com a saúde mental das vítimas de conflitos são tão importantes quanto a atenção de suas necessidades de água, alimentos e abrigo.

Os millennials consideram que, nor próximos 10 anos, a perspectiva de um conflito de dimensões catastróficas é uma possibilidade real no curso das suas vidas. Para a maioria dos jovens dessa geração ouvidos pelo CICV, um ataque nuclear é altamente provável.

Quase metade dos entrevistados (47%) afirma que deve presenciar a terceira guerra mundial ao longo de sua vida.

E, enquanto 84% dos jovens acreditam que o uso de armas nucleares não é aceitável sob nenhuma circunstância, outros 54% acreditam que há uma alta probabilidade de um ataque nuclear na próxima década.

Em contrapartida, 74% dos jovens defendem que as guerras são evitáveis. E 75% do entrevistados acham que limites devem ser impostos à maneira como as guerras são realizadas.

Quando questionados sobre o uso de tortura em meio aos conflitos, 37% dos jovens admitiram acreditar que é uma estratégia “aceitável”.

O recorte das respostas, no entanto, deixa bem claro que os jovens que vivem sob a ameaça do conflito constante não toleram qualquer possibilidade de novas guerras se espalharem pelo mundo.

Na Síria, 98% dos entrevistados disseram que o uso de armas nucleares não é aceitável sob nenhuma circunstância; e 85% acreditam que os combatentes inimigos capturados devem ter permissão para fazer contato com seus parentes.

“Quando você vê seus amigos e familiares sofrendo os horrores da guerra, não quer saber nada sobre as armas. As respostas dos jovens que vivem na Síria, Ucrânia e Afeganistão confirmam um fato óbvio para nós: a experiência da guerra causa ódio à guerra”, afirma Peter Maurer, presidente do CICV.

Apesar das considerações em relação aos conflitos armados (45%) e disputas nucleares (24%), para os jovens, a corrupção (54%), o desemprego (52%) e a crescente pobreza e terrorismo (47%) são os principais motivos de preocupação de sua geração.