LGBT
08/10/2019 19:56 -03 | Atualizado 09/10/2019 00:32 -03

Este jovem em processo de transição de gênero ganhou uma inesperada homenagem de sua família

Richard Alcântara, de 22 anos, pretende fazer cirurgia para retirar os seios e ao invés da rejeição, ganhou homenagem de sua família.

Reprodução/Facebook
Vídeo em que Richard Alcântara, de 22 anos, foi surpreendido por familiares usando fita para esconder os seios, como ele, viralizou nas redes sociais.

Há um ano, Richard Alcântara, de 22 anos, sofria com o processo de autoaceitação e com a possibilidade de ser rejeitado por familiares ao se apresentar como um homem trans a eles pela primeira vez. Mas o contrário aconteceu. Ele, que ainda está em processo de transição de gênero, ganhou uma homenagem dos homens de sua família no último sábado (5). 

“Essa é uma demonstração de amor incondicional de uma família”, escreveu Yuri Almeida, namorada de Richard, ao publicar o vídeo da homenagem nas redes sociais, que já conta com mais de 8 mil compartilhamentos. Nele, homens da família de Richard surpreendem ao usarem fitas adesivas para esconder os seios, assim como o jovem, que aguarda pela mastectomia.

Assista ao vídeo abaixo:

 

“Um ano atrás ele sofria com a fase de aceitação e temia a rejeição da família, já atentou contra a própria vida por consequência de depressão, mas o que ele não sabia é que tudo tem seu tempo, nada acontece por acaso”, conta Yuri. ”(...) Preconceito não tem espaço onde amor e respeito se fazem presentes!”

Em um segundo vídeo, é possível ver a emoção do jovem:

 

A homenagem aconteceu em um churrasco de família, realizado em Caçapava, cidade do interior de São Paulo. Richard, atualmente, mora em São Caetano do Sul, no ABC, na Grande São Paulo e trabalha como auxiliar de cozinha.

Esta seria a primeira vez que ele ficaria sem camisa em um evento de família ― e se sentiu envergonhado ao ficar próximo da piscina, mas foi surpreendido pelo acolhimento de sua família. No momento, ele guarda dinheiro e busca um profissional para realizar a cirurgia para retirar os seios, a mastectomia. 

Com frequência, Richard usa as redes sociais para falar sobre seu processo de transição. Quando ficou sem camisa pela primeira vez na praia, escreveu que ainda lida com a disforia, mas tem “coragem e determinação” para isso.

“Disforia do corpo? Ainda tenho. Mas coragem e determinação tenho de sobra, passei um tempo sem tirar fotos com vergonha das manchas do meu rosto e do meu peito”, escreveu. “Quando penso que estou fraco, forte eu estou.”

A disforia, a qual ele se refere, é comum em processos de transição de gênero e se caracteriza como um desconforto persistente com marcas sexuais ou de gênero do próprio corpo que remetam ao gênero atribuído no nascimento.

“As mudanças só estão começando e eu estou cada vez mais apaixonado por cada detalhe. Eu sou forte e vou longe ainda”, escreveu Richard no Instagram.

Os dados sobre LGBTfobia no Brasil

Marc Bruxelle / EyeEm via Getty Images
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em junho deste ano, que a LGBTfobia deve ser equiparada ao crime de racismo.

De acordo com o Atlas da Violência do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), cresceu 10% o número de notificações de agressão contra gays e 35% contra bissexuais de 2015 para 2016, chegando a um total de 5.930 casos, de abuso sexual a tortura.

Canal oficial do governo, o Disque 100 recebeu 1.720 denúncias de violações de direitos de pessoas LGBT em 2017, sendo 193 homicídios. A limitação do alcance do Estado é admitida pelos próprios integrantes da administração federal, devido à subnotificação e falta de dados oficiais.

Por esse motivo, os levantamentos do Grupo Gay da Bahia, iniciados na década de 1980, se tornaram referência.

Em 2018, a organização contabilizou 420 mortes de LGBTs decorrentes de homicídios ou suicídios causados pela discriminação. O relatório “População LGBT Morta do Brasil” mostra, ainda, um aumento dos casos desde 2001, quando houve 130 mortes.

O grupo divulgou nova pesquisa que aponta 141 vítimas entre janeiro e o dia 15 de maio deste ano. De acordo com o relatório, ocorreram 126 homicídios e 15 suicídios, o que dá uma média de uma morte a cada 23 horas por homofobia.

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em junho deste ano, que a LGBTfobia deve ser equiparada ao crime de racismo até que o Congresso Nacional crie uma legislação específica sobre este tipo de violência. Pena é de até 3 anos e crime será inafiançável e imprescritível, como o racismo.