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26/10/2019 11:37 -03 | Atualizado 26/10/2019 11:47 -03

Joice Hasselmann é alternativa do PSL a Bolsonaro em 2022, diz Folha

Segundo coluna de Mônica Bergamo, ex-líder do governo é vista no partido do presidente como "direita do bem".

Adriano Machado / Reuters
Ex-líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann trabalhou pela reforma da Previdência ao lado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Rejeitada pelo governo Bolsonaro e perseguida pelos filhos de Jair e grupos bolsonaristas, Joice Hasselmann (PSL-SP) pode sair mais forte da batalha interna do PSL que custou sua função de líder do governo no Congresso.

A coluna da Mônica Bergamo, na edição da Folha de S.Paulo deste sábado (25), diz que o PSL já está planejando lançar Joice candidata à Presidência da República nas eleições de 2022. Ela seria uma alternativa a Bolsonaro, na avaliação dos bivaristas — aliados de Luciano Bivar (PSL-PE), presidente da sigla e atualmente adversário do presidente.

Joice seria uma representante da “direita do bem”, uma parlamentar moderada “contra os xiitas e radicais” do PSL, na visão do deputado Junior Bozella (PSL-SP), que é muito próximo a Bivar.

Em suas redes sociais neste sábado, Joice ainda não comentou a informação de Bergamo. O que a pesselista não nega é sua vontade de concorrer à Prefeitura de São Paulo em 2020. Enquanto arrefeceu a relação dela com Jair Bolsonaro, o flerte com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), continua firme e forte.

Doria tenta atrair Joice para o PSDB em busca de renovar os quadros do partido. O primeiro pesselista fisgado pelo tucano foi Alexandre Frota (PSDB-SP). Oferecer a candidatura à prefeita da capital paulista é o trunfo de Doria para selar o destino político de Joice.

Entretanto, com a projeção do nome da deputada para candidata a presidente, em 2022, o PSL tenta demover quaisquer intenções de Joice de trocar a sigla de Bivar e Bolsonaro pela de Doria.

Guerra interna do PSL

Faz mais de duas semanas que a deputada Joice Hasselmann está na mira de bolsonaristas nas redes sociais, sendo rotulada de “traidora” e comparada à Peppa Pig e à nota de 3 reais. O Twitter virou ringue de Joice e Eduardo Bolsonaro, tachado por ela de “moleque inconsequente”.

A ex-líder denunciou que existe uma militância virtual com robôs, em apoio a Bolsonaro, que está por trás dos ataques a ela.

Dentro do PSL, hoje ela é uma das maiores críticas da influência dos filhos de Bolsonaro no governo.

A ruptura dos Bolsonaro com Joice ocorreu porque ela não assinou a lista de parlamentares em apoio a Bolsonaro, que circulou no Congresso no início da 2ª quinzena de outubro. Ela acabou assinando a lista que pedia a permanência do Delegado Waldir como líder do PSL na Câmara.

No lugar de Waldir, bolsonaristas tentavam emplacar Eduardo Bolsonaro na liderança do partido — ele acabou assumindo o posto na última segunda-feira (21).

A cisão entre bolsonaristas e bivaristas começou com um vídeo em que Bolsonaro diz a apoiador que Luciano Bivar “está queimado pra caramba”. O racha tem como pano de fundo a disputa pelo fundo milionário que o PSL tem à disposição — R$ 737 milhões até 2022 —, além do escândalo de uso de candidaturas laranja nas eleições do PSL em 2018.