NOTÍCIAS
11/12/2019 13:05 -03 | Atualizado 11/12/2019 23:41 -03

Ex-aliada de Bolsonaro, Joice Hasselmann é escolhida pelo PSL para ser líder na Câmara

Deputada é símbolo da guerra entre o PSL e a ala que apoia o presidente Jair Bolsonaro.

Marcos Correa/PR
Hoje rival de Bolsonaro, Joice Hasselmann chegou a ser líder do governo no Congresso. 

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) foi escolhida pelo PSL para assumir a liderança do partido na Câmara dos Deputados. A decisão de integrantes do partido foi tomada dias após a suspensão de 17 bolsonaristas da legenda. Entre os que estão com direitos partidários suspensos está o atual líder da sigla, deputado Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente.

Na tarde desta quarta-feira (11), a Secretaria-Geral da Mesa confirmou a mudança na liderança. A formalização dependeu de aval do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Parlamentares do PSL alinhados ao presidente da sigla e rival do presidente Jair Bolsonaro, Luciano Bivar (PE), estiveram com Maia para pressioná-lo.

A mudança na liderança é mais um capítulo da briga de Bolsonaro com o PSL, partido que serviu de plataforma para sua eleição. A troca de farpas dentro da sigla se tornou pública, em outubro, quando o presidente disse a um apoiador que Bivar está “queimado” em Pernambuco. Desde então, o partido rachou. Uma ala segue em apoio ao presidente e outra se alinhou a Bivar.

A participação de Joice no conflito se tornou um episódio à parte. Ela era líder do governo no Congresso e, em meio à crise, foi destituída do cargo por Bolsonaro por não ter apoiado a indicação do filho dele para se tornar líder da legenda, ainda em outubro. Eduardo sucedeu o deputado Delegado Waldir (GO) na liderança.

Bolsonaristas passaram, então, a atacar a deputada. De aliada, Joice passou a ser rival e a duelar com os filhos do presidente, em especial Eduardo. Na semana passada, ao participar da CPMI das Fake News, ela acusou o adversário de comandar a “milícia digital” bolsonarista, segundo ela, usada para “destruir reputações”.

O racha no PSL se tornou insustentável e em novembro Bolsonaro deixou a sigla para criar seu próprio partido: Aliança pelo Brasil — ainda em fase de construção. Deputados que o apoiam, entretanto, não podem deixar o PSL, por causa da legislação que trata sobre fidelidade partidária. Sem justificativa plausível, eles correm o risco de perder o mandato, caso deixem o PSL.