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04/12/2019 20:40 -03 | Atualizado 04/12/2019 20:44 -03

Joice detalha à CPMI das Fake News como funciona o ‘gabinete do ódio’

Segundo a ex-aliada de Bolsonaro, o grupo tem um cronograma de ‘reputações a serem destruídas’.

Amanda Perobelli / Reuters
Joice Hasselmann: “A liberdade de expressão tem um caminho, a linha tênue que devia separa-la das agressões não é mais uma linha tênue mais, é um abismo".

Ex-aliada do presidente Jair Bolsonaro, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) fez uma análise à CPMI das Fake News sobre qual seria o modus operandi do ‘gabinete do ódio’ — uma espécie de milícia digital usado para ‘destruir reputações’.

Segundo ela, o grupo é formado por pessoas próximas ao presidente e é direcionado por dois filhos do presidente: o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). “Carlos e Eduardo são os cabeças, os mentores”, pontuou.

A deputada levou uma apresentação em power point, com áudios e imagens, que detalham como, no seu entendimento, funciona a estratégia. De acordo com o que ela mostrou, os integrantes do grupo tinham um cronograma com ‘reputações a serem destruídas’.

“Escolhe-se um alvo. Combina-se um ataque e há inclusive um calendário de quem ataca e quando. E, quando esse alvo está escolhido, entram as pessoas e os robôs. Por isso que, em questão de minutos, a gente tem uma informação espalhada para o Brasil inteiro.”

Sobre quem seriam os alvos, a deputada foi clara:

Qualquer pessoa que eventualmente discorde [da família Bolsonaro] entra como inimigo da milícia [digital].

Entre os citados por ela como exemplo de vítimas estão integrantes do STF, o vice-presidente Hamilton Mourão e o ex-ministro Gustavo Bebianno.

“O modus operandi e o nível de agressão vão aumentando a depender de quem for a vítima”, disse. “A liberdade de expressão tem um caminho, a linha tênue que devia separa-la das agressões não é mais uma linha tênue, é um abismo. (…) Fake news não é piadinha. Isso é uma coisa, fake news é outra coisa, é crime e tem consequência.”

Enquanto a deputada falava, ela esteve entre os assuntos mais comentados no Twitter. Para ela, esse é um exemplo de como o grupo atua, com um batalhão de robôs. Segundo Joice, um quarto dos perfis que seguem o presidente (1,4 milhão) é formado por bots. “Eu quero crer que o presidente não sabe disso”, disse.

Ainda de acordo com a parlamentar, o grupo usa dois aplicativos para se comunicar: um grupo secreto no Instagram e o Signal.