MULHERES
19/12/2019 17:26 -03 | Atualizado 19/12/2019 18:02 -03

João de Deus é condenado pela primeira vez por crimes sexuais e pega 19 anos de prisão

Caso veio à público em 2018; esta é a 1ª vez que o médium de 78 anos é condenado por crimes sexuais em atendimentos espirituais.

Stringer . / Reuters
À época, denúncias de abuso sexual envolvendo médium famoso ganhou repercussão internacional pela notoriedade que o médium tinha fora do País.

A Justiça condenou o médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, a 19 anos e quatro meses de prisão por crimes sexuais cometidos contra quatro mulheres em atendimentos espirituais realizados na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, cidade localizada no estado de Goiás (GO).

Assinada pela juíza Rosângela Rodrigues, a decisão foi anunciada nesta quinta-feira (19). Esta é a primeira vez que o médium de 78 anos é condenado por crimes sexuais. Ele já havia sido condenado antes, mas por posse ilegal de arma de fogo. As denúncias de estupro vieram à público em dezembro de 2018 e são referentes a casos que aconteceram entre 1975 e o ano passado.

“O juiz analisa a culpabilidade, os antecedentes, os motivos e o comportamento. A palavra da vítima se sobrepõe à simples negativa do acusado. Porque, em geral, esses crimes sexuais acontecem às escuras”, disse a juíza em entrevista à imprensa, segundo informações do jornal O Globo.

AFP via Getty Images
O médium João de Deus em atendimento espiritual na casa Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia.

Denunciado 13 vezes pelo Ministério Público de Goiás (MPF-GO), duas delas por posse ilegal de armas, João de Deus está preso preventivamente há um ano, mas nega ter cometido todos os crimes. A sentença proferida nesta quinta-feira tem como base o caso de quatro vítimas, duas delas por violação sexual mediante fraude e outras duas por estupro de vulnerável.

Segundo o G1, investigações ainda não terminaram e mulheres ainda procuram o MP para apresentar denúncias contra o médium. Para facilitar a tramitação dos processos, foi definida a estratégia de apresentar várias denúncias.

De acordo com informações da Folha de S. Paulo, o advogado do médium, Marcos Lara, informou que ainda não leu a notificação e que o fará antes de se manifestar sobre a decisão desta quinta-feira.

De médium cultuado a criminoso

Em dezembro de 2018, mulheres denunciaram o médium João de Deus, em entrevista ao jornal O Globo e ao programa Conversa com Bial, por cometer abusos sexuais contra elas no momento em que procuraram auxílio espiritual na Casa de Dom Inácio de Loyola, comandada por João de Deus. Em nota, o médium negou e rechaçou “veementemente” as acusações contra ele.

À época, o caso ganhou repercussão internacional pela notoriedade que o médium tinha fora do País. Em 2012, João de Deus recebeu a apresentadora norte-americana Oprah Winfrey para uma entrevista sobre espiritualidade. Ela também recebeu atendimento no centro espírita em Abadiânia.

Após as primeiras denúncias terem sido denunciadas pela imprensa, mais de 300 mulheres procuraram o Ministério Público Federal para relatar casos de violência sexual cometidos pelo médium e que ocorreram há mais de 45 anos.

Devido à repercussão do caso, um time de promotoras no MP formou um grupo de trabalho e divulgou um endereço de e-mail para receber denúncias. Na época, estimou-se que o número de casos chegava a mais de quinhentos.

A promotoria de Goiás, responsável pelas denúncias, afirma que este pode ser entendido como o maior caso de abuso sexual que já ocorreu no Brasil, considerando o espaço de tempo entre as denúncias e o número de vítimas.