MULHERES
13/06/2020 02:00 -03 | Atualizado 13/06/2020 02:00 -03

'Não existe a profissão de cientista no Brasil', diz Jaqueline Góes, que mapeou genomas do coronavírus

Biomédica que lidera equipe de pesquisa na USP diz ao HuffPost que otimismo inicial passou e lamenta falta de investimento do atual governo na ciência.

Mais de 3 meses após sua equipe sequenciar o genoma do novo coronavírus no Brasil, a biomédica Jaqueline Góes, 30 anos, vê com menos otimismo uma possível guinada para a valorização da ciência no País. A cientista reconhece avanços – especialmente em relação à representatividade de mulheres negras no meio científico –, mas alerta para os efeitos a longo prazo do apagão das pesquisas brasileiras.

Em entrevista por telefone ao HuffPost, Góes afirmou que as condições de trabalho afastam muitos profissionais dos laboratórios. “Para quem não é concursado nessas instituições [de pesquisa] ou universidades, os salários não são compatíveis. A gente não tem carteira assinada. Não existe a profissão de cientista no Brasil. A gente faz pesquisa dentro de um projeto que tem uma bolsa a oferecer. Quando aquele projeto termina, você tem que procurar outro que também tenha bolsa para você continuar tendo remuneração. E as bolsas não são compatíveis com a atividade que a gente exerce”, afirma.

A pesquisadora soteropolitana ressalta a importância do Ciência sem Fronteiras, criado no governo de Dilma Rousseff, em sua formação. O programa permitiu que ela fizesse doutorado-sanduíche na Inglaterra. Lá, ela se especializou na técnica usada para mapear o genoma do Sars-CoV-2 em fevereiro. “Existiu muito investimento em mim para que hoje eu pudesse me destacar dessa forma”, conta.

Pós-doutoranda na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), Góes divide com a professora Ester Sabino a coordenação do Centro de Descoberta, Diagnóstico, Genômica e Epidemiologia de Arbovírus (Cadde). O projeto é uma parceria do Brasil com o Reino Unido que envolve também o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. Foi desse laboratório que vieram as amostras do novo coronavírus que chegaram até a bancada das pesquisadoras para o sequenciamento.

Desde o final de fevereiro, as horas de trabalho da biomédica se multiplicaram no Cadde, dentro da USP. A equipe continua a pesquisar o Sars-CoV-2 e deve publicar os resultados de seus estudos em um mês. A tecnologia usada por elas também está sendo ensinada a outros pesquisadores. “Principalmente para que a gente tenha outros grupos trabalhando com essa tecnologia inovadora e que apresenta resultados muito rápido. Isso faz diferença quando você está estudando epidemias virais. Quanto mais cedo você sabe informações sobre a epidemia, melhor é a forma de lidar com aquela situação no sentido de estabelecer ações de prevenção e outras medidas de saúde pública”, explica.

Apesar de a pandemia ter levado muita gente a voltar os olhos para a ciência, a pesquisadora lembra que os ganhos não são imediatos. “O que a gente está colhendo de frutos hoje é resultado de anos de estudos de pessoas que trabalhavam com essa família de vírus antes”, afirma.

A reflexão sobre o passado também vale para o futuro. Um ano e meio após o início do governo de Jair Bolsonaro – com discurso e ações de governo na contramão da ciência –, Goés afirma que mesmo uma guinada na atual política científica demoraria a gerar efeitos positivos. “Talvez no próximo governo a gente tenha alguém que invista em ciência, mas, mesmo que isso aconteça, a gente vai ter perdido 4 anos de investimento que vão custar caro”, afirma.

Reprodução/Instagram
Jaqueline Góes: "Quanto mais cedo você sabe informações sobre a epidemia, melhor é a forma de lidar com aquela situação no sentido de estabelecer ações de prevenção e outras medidas de saúde pública”.

Além do prejuízo para a produção de conhecimento, as dificuldades da carreira científica se refletem no perfil dentro do laboratório. Goés conta que tem mais colegas mulheres e que muitas adiam a decisão pela maternidade.

A repercussão da notícia sobre o mapeamento do novo coronavírus levou a pesquisadora a entrar em contato com outras cientistas negras. “Antes de entrar na faculdade, no meu período de formação como criança, adolescente, não lembro de ter mulheres negras como ícones da ciência”, conta. Sobre o debate em torno de questões raciais, Goés afirma que a equidade só será alcançada quando pessoas brancas em situação de privilégio abrirem espaço de fato para discussão.

Leia os principais trechos da entrevista:

HuffPost Brasil:No final de fevereiro, a equipe em que você trabalha sequenciou o genoma do novo coronavírus em 48 horas. O que houve de avanço no conhecimento sobre o vírus desde então? Essa informação do sequenciamento está sendo usada no desenvolvimento de vacinas ou testes no Brasil? 

Jaqueline Góes: A gente trabalha com vigilância genômica, que consiste em continuar sequenciando os genomas na tentativa de descrever como está acontecendo a evolução de uma determinada doença ou infecção em uma população. A gente já sequenciou mais de 400 amostras do novo coronavírus. Provavelmente vai fechar o estudo com 500 amostras. Isso significa 500 pacientes infectados. São representativos de diversos estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Sul.

São amostras coletadas dos pacientes com covid-19 por meio do teste RT-PCR?

Isso. Esse genoma permite que a gente rastreie a infecção na população. A gente consegue identificar mutações, saber se o vírus está evoluindo, se está se adaptando melhor à população. A gente não pode divulgar ainda os resultados porque vão ser publicados provavelmente dentro de um mês.

Vocês estão ensinando a técnica que o grupo da USP desenvolveu para outros pesquisadores...
A gente tem essa proposta dentro do projeto que está vigente desde antes do novo coronavírus, que é fazer transferência de tecnologia. Essa transferência foi feita com o pessoal do Instituto Adolfo Lutz. Por isso a gente começou sequenciando as amostras detectadas no início [da pandemia] no Brasil. E estamos treinando outras pessoas. Não só para o Sars-CoV-2, mas principalmente para que a gente tenha outros grupos trabalhando com essa tecnologia inovadora e que apresenta resultados muito rápido. Isso faz diferença quando você está estudando epidemias virais. Quanto mais cedo você sabe informações sobre a epidemia, melhor é a forma de lidar com aquela situação no sentido de estabelecer ações de prevenção e outras medidas de saúde pública.

Quanto mais cedo você sabe informações sobre a epidemia, melhor é a forma de lidar com aquela situação no sentido de estabelecer ações de prevenção e outras medidas de saúde pública.

Antes da pandemia, você pesquisava outros vírus, como HIV, dengue, zika. O que há de mais distinto na pesquisa atual?

Quando você muda o vírus, muda a sequência que você vai obter. Os estudos são muito parecidos. Eles não são iguais, mas ele têm um padrão no sentido de apresentar as informações. Como a gente sequencia o genoma, esse genoma sequenciado dá a possibilidade de fazermos estudos filogenéticos, filogeográficos, então a gente está apresentando predição de novos surtos baseados nesse genomas.

Esse trabalho serve para aumentar o conhecimento sobre os coronavírus e também pode permitir entender melhor eventuais novos coronavírus que surgirem?

Sim. No nosso caso só estamos olhando para o Sars-CoV-2, mas há muitos grupos realizando diagnóstico para coronavírus em que a detecção de outros tipos de corona, que não são o novo coronavírus, está sendo feita. Isso é algo inédito. Não se estudavam com tanta frequência os coronavírus na população.

Isso é algo inédito. Não se estudavam com tanta frequência os coronavírus na população.
Divulgação/USP
Jaqueline Góes (no centro) com sua equipe do Cadde, dentro da USP. 

Você participou de uma pesquisa sobre o zika vírus no Nordeste. Em 2017, fizemos uma série de reportagens no interior de Alagoas com mães de crianças com a síndrome congênita. Há uma dificuldade extrema para essas famílias terem acesso à assistência de saúde, e o problema é invisibilizado especialmente após a situação de emergência em saúde ter se encerrado. A epidemia atual também irá deixar consequências a longo prazo? Quais?

Existe uma diferença no pós-doença. No caso do zika, as crianças ficam com dificuldades de desenvolvimento, as famílias enfrentam essa situação, a vida não é mais uma vida normal. Até o momento, o que a gente sabe é que o coronavírus gera algumas sequelas pulmonares que podem causar insuficiência pulmonar, mas isso ainda está no campo das hipóteses. As pessoas voltam a ter uma vida normal, a trabalhar, a fazer parte da sociedade. Não existe uma sequela limitante. O que a gente tem são muitas mortes. O impacto é mais pelo desfecho da doença do que as consequências para o período posterior. 

A epidemia de zika afetou as mulheres muito diretamente devido à síndrome congênita. Na epidemia atual, os fatores de gênero são apontados em questões como a sobrecarga das tarefas, a violência doméstica e maior vulnerabilidade feminina no mercado de trabalho. Como você vê o efeito dessas duas crises sobre as mulheres?

Em termos práticos, as duas crises afetam de formas mais parecidas. Eu acompanhei um pouco da epidemia de zika no Nordeste. Na cidade de Feira de Santana [na Bahia], a gente observou que as mães de crianças com microcefalia foram culpabilizadas pela doença. Muitas foram deixadas pelos maridos e tinham que arcar com a criação da criança sozinha. Houve uma sobrecarga dessa mães e isso traz um impacto econômico porque essa mulher precisa sair do mercado de trabalho para se dedicar à criação daquela criança, e isso é uma situação prolongada.

No caso da pandemia, a gente está observando essa sobrecarga no momento da quarentena. As mulheres estão ficando mais em casa, as crianças estão mais em casa, as famílias estão requerendo mais os serviços domésticos e isso tem sobrecarregado as mulheres. Mas é uma questão temporária porque quando as coisas se normalizarem - e estou falando de 2, 3 anos - a gente vai ter de novo as mulheres voltando para o mercado de trabalho. Isso na medida do possível porque, se a situação ficar assim por muito tempo, provavelmente a gente vai ter uma nova dinâmica em termos de empregabilidade.

Mães de crianças com microcefalia foram culpabilizadas pela doença. Muitas foram deixadas pelos maridos e tinham que arcar com a criação da criança sozinha.

Quando você fala em dois ou três anos para as coisas se normalizarem é por causa da previsão de vivermos períodos intercalando isolamento social e flexibilização por esse tempo?

Exatamente, pelas projeções que estão sendo feitas. Se a gente tiver uma vacina distribuída amplamente antes disso, a gente pode voltar às nossas vidas normais porque as pessoas vão estar imunes.

A equipe em que a senhora trabalha agora é majoritariamente feminina. Seus trabalhos anteriores também eram assim? Como isso faz diferença no dia a dia?

Eu sempre trabalhei em grupos de pesquisas com mais mulheres do que homens. A gente sabe que as mulheres ainda são minoria nos grupos de pesquisa científica. Na Academia, de modo geral as mulheres ainda são minoria. Mas no Brasil a gente tem um outro fenômeno, que é ter mais mulheres na ciência principalmente porque não é uma atividade em que a remuneração é compatível com o custo de vida. Não tem dados oficiais a respeito. Estou falando de observação. O que a gente percebe é que os homens que se envolvem com pesquisa continuam porque têm vontade mesmo porque a pressão social faz que esses homens acabem saindo e buscando atividades com remuneração melhor. Essa mentalidade ainda impera muito na sociedade. No resto do mundo não funciona desse jeito porque a dinâmica do retorno financeiro e do prestígio como cientista é diferente.

No Brasil a gente tem outro fenômeno, que é ter mais mulheres na ciência principalmente porque não é uma atividade em que a remuneração é compatível com custo de vida.

Isso tem a ver com incentivos dos governos de outros países ou com a dinâmica do mercado privado?

Acho que tem a ver com a forma como a sociedade avalia o trabalho dos cientistas. São poucos institutos voltados só para pesquisa. A gente tem a Fiocruz, o Instituto Butantã, mas de modo geral quem faz pesquisa no Brasil são docentes de universidades públicas que dentro da sua carga horária têm uma parte dedicada para a pesquisa. 

Para quem não é concursado nessas instituições ou universidades, os salários não são compatíveis. A gente não tem carteira assinada. Não existe a profissão de cientista no Brasil. A gente faz pesquisa dentro de um projeto que tem uma bolsa a oferecer. Quando aquele projeto termina, você tem que procurar outro que também tenha bolsa para você continuar tendo remuneração. E as bolsas não são compatíveis com a atividade que a gente exerce. 

A gente não tem carteira assinada. Não existe a profissão de cientista no Brasil.

Essa falta de estabilidade no trabalho também influencia em relação à maternidade?

Sim, sem dúvida. A faixa etária de maternidade das mulheres que trabalham na ciência normalmente é mais tardia justamente porque a maternidade interrompe a sua carreira por um tempo. Isso diminui sua produtividade. Como a gente trabalha com produto científico publicado, no momento em que você não está publicando, em que você não consegue estar no mesmo ritmo de produtividade, a sua carreira vai ficando para trás. Nós, mulheres cientistas, normalmente deixamos para ter filho depois, para esperar a carreira estar mais consolidada.

Reprodução/Instagram
Para Jaqueline Góes, ser cientista no Brasil não rende prestígio nem remuneração compatíveis com a função.

Com a pandemia, o debate sobre a ciência ganhou mais destaque e dentro desse processo também tem se falado mais de mulheres na ciência. Quando você pensou em entrar nessa carreira, tinha alguma mulher cientista que te inspirava?
Em termos de representatividade feminina, eu tinha algumas pessoas que me inspiraram a entrar e a continuar na ciência, mas se for pensar em representatividade como um ícone, uma pessoa na mídia ou muito conhecida, não tem. As nossas inspirações eram muito próximas da nossa realidade. Antes de entrar na faculdade, no meu período de formação como criança, adolescente, não lembro de ter mulheres negras como ícones da ciência. Eu comecei a pensar em fazer ciência quando entrei na faculdade e comecei a ver as minhas professoras que faziam pesquisa na Fiocruz. Uma delas realmente me inspirou e mais tarde, mesmo sem saber dessa inspiração, acabou me convidando para participar de um grupo de pesquisa.

Antes de entrar na faculdade, no meu período de formação como criança, adolescente, não lembro de ter mulheres negras como ícones da ciência.

Como você vê o debate sobre representatividade das mulheres negras na ciência agora?

Com a repercussão [do sequenciamento do genoma do novo coronavírus], muitas pessoas acabam fazendo publicações [nas redes sociais] com outras cientistas negras e me marcam, e você têm neste momento a oportunidade de conhecer outras pessoas que estavam invisibilizadas. Estou começando a discutir mais essas questões agora por conta da posição em que estou hoje. 

Além da crise sanitária, o Brasil passa por outras crises envolvendo questões sociais, e o racismo também é pauta dos movimentos mais recentes, nas ruas e nas redes sociais. Estamos avançando nesse debate?

É necessário que as pessoas brancas em situação de privilégio abram espaço de fato para que se discuta e para que haja representatividade com equidade. Porque, se for falar de igualdade, teria que colocar todos os brancos do Brasil em 300 anos de escravidão — e a equidade está relacionada a equiparar as diferenças. Essas diferenças só existem porque ao longo de séculos houve uma diferenciação no tratamento e nas oportunidades por conta da cor da pele. A gente tem muitas pessoas com potencial para ter destaque na sociedade. O que falta é oportunidade para isso, considerando a questão histórica.

É muito fácil olhar para uma menino de favela e dizer que ele está no crime porque ele quer. Muito fácil falar isso do meu pedestal de quem estudou a vida toda, de quem teve oportunidade, pai e mãe para bancar as coisas. Mesmo sendo negra, eu tive esse privilégios. Eu ainda estou dentro de um grupo em que muita gente não está. É uma discussão muito complexa do que simplesmente ‘não existe racismo no Brasil e somos todos iguais’.

Ao mesmo tempo em que passamos a falar mais da ciência por causa da pandemia, o governo federal é anticientífico. A falta de valorização e de investimentos em pesquisa é apontada frequentemente nos últimos anos. Como a senhora vê o cenário atual? É possível ter esperança na valorização da ciência?

Já fui bem otimista em relação a isso mas hoje estou meio cética. Acho que a longo prazo a gente pode ter benefícios. As pessoas estão percebendo o quanto a ciência é importante neste momento. Mas a ciência não dá resultados imediatos. O que a gente está colhendo de frutos hoje é resultado de anos de estudos de pessoas que trabalhavam com essa família de vírus antes. O investimento que deixou de ser feito há dois anos, ele não está sendo colhido agora. Ou não vai ser colhido daqui a um ou 3 anos simplesmente porque ele não existiu. 

Quando a gente retomar o investimento em ciência, ainda vamos ter que esperar cerca de 4, 5, 6 anos para ter o retorno. Acredito que a população ainda não tem noção de como funciona o método científico e pensa ‘tudo bem que a gente ficou sem investir, que a gente desacreditou a ciência nos últimos 2 anos, mas vamos retomar e tudo vai ficar bem’. 

A gente veio de uma era boa de investimento em ciência. Eu sou fruto disso. Sou fruto do Ciência sem Fronteiras. Fui para Inglaterra e me especializei nessa técnica que utilizo hoje e foi isso que me permitiu ir para a bancada [do laboratório] e fazer o sequenciamento [do genoma do novo coronavírus], mas também de ter contato com pessoas importantes que possibilitaram isso. Não sou louca de dizer que tudo é fruto da minha competência. Existiu muito investimento em mim para que hoje eu pudesse me destacar dessa forma. Eu estava muito esperançosa…

No início da pandemia?

Sim, no início da pandemia. Talvez no próximo governo a gente tenha alguém que invista em ciência, mas, mesmo que isso aconteça, a gente vai ter perdido 4 anos de investimento que vão custar caro. 

Divulgação/USP
"Talvez no próximo governo a gente tenha alguém que invista em ciência, mas mesmo que isso aconteça, a gente vai ter perdido 4 anos de investimento que vão custar caro", afirma Jaqueline Góes.

E você pretende continuar trabalhando no Brasil?

Eu tinha uma previsão de voltar para Inglaterra para poder me especializar um pouco mais na parte de análise. E a pandemia desestruturou nossos planos. Não sei quando eu vou poder ir. Estava previsto para outubro. Provavelmente vai ser adiado por cerca de 6 meses e olhe lá... Isso porque o trabalho que eu deveria estar fazendo neste momento para ter dados para serem analisados lá não está sendo feito porque tudo se voltou para o corona.

Outra questão é que a gente que trabalha com saúde pública depende de dados e de amostras que são incluídas no sistema público e hoje esse sistema está praticamente todo voltado para o corona, então a gente está perdendo, por exemplo, o surto de dengue que está tendo neste momento. A gente não está podendo mensurar. Não está conseguindo coletar amostras.

E a sua pesquisa na Inglaterra é sobre o vírus da dengue né…

Isso. Era a minha pesquisa principal antes do corona chegar. A gente estava fazendo essa vigilância genômica de dengue de 2016 para cá. Tentando recolher amostras de 2016 e a previsão era até 2021. Agora, por exemplo, o surto de 2020 eu não consegui pegar. As pessoas não estão indo para os hospitais. Quem tem dengue e não é um caso muito grave, se estiver seguindo as recomendações da OMS, do Ministério da Saúde, não está procurando o serviço de saúde. E muitos dos serviços de saúde que faziam o diagnóstico para dengue foram voltados para o corona, então não têm mais como rastrear isso. A pesquisa vai ficar um pouco prejudicada nesse sentido e vai ter que postergar isso.

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