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26/02/2019 11:33 -03 | Atualizado 28/02/2019 10:32 -03

Janaina Paschoal e defensor da Escola Sem Partido criticam pedido para leitura de carta e hino nas escolas

Após a repercussão negativa, o ministro Ricardo Veléz afirmou que errou. Em novo comunicado, MEC retira slogan do governo.

ASSOCIATED PRESS

A decisão do ministro da Educação, Ricardo Vélez-Rodriguez, de pedir às escolas públicas e particulares do País que leiam uma carta com slogan do presidente Jair Bolsonaro e filmem os alunos cantando o Hino Nacional causou revolta em alas simpáticas ao governo. Após a repercussão negativa, o ministro afirmou que errou e que retirou o slogan da campanha do comunicado. Ainda há o pedido para a filmagem, mas pede autorização prévia. 

Deputada estadual do PSL-SP, Janaina Paschoal considerou o primeiro e-mail enviado pelo MEC às escolas “surreal”.

Janaina, que é professora de Direito, aproveitou para aconselhar ao ministro a contratar um especialista em ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). “Não se pode sair filmando crianças”, frisa a deputada.

Um dos perfis no Twitter em defesa da Escola Sem Partido, que é seguido pelo presidente, também criticou a proposta. “Que fique claro: o problema não é o hino nem, ao nosso ver, a filmagem dos alunos. (…) O problema é a recomendação para a leitura dessa carta.”

Recuo

No Senado Federal, o ministro afirmou que percebeu o erro de ter colocado o slogan do governo. “Tirei essa frase, tirei a parte correspondente a filmar crianças sem a autorização dos pais. Evidentemente, se alguma coisa for publicada, será dentro da lei, com autorização dos pais”, disse. 

O MEC afirmou que enviará uma nova carta às escolas, com uma recomendação atualizada.

Reprodução/MEC

Leia trecho do novo comunicado:

“No e-mail em que a carta revisada será enviada, pede-se, ainda, que, após a sua leitura, professores, alunos e demais funcionários da escola fiquem perfilados diante da bandeira do Brasil, se houver na unidade de ensino, e que seja executado o Hino Nacional.

Para os diretores que desejarem atender voluntariamente o pedido do ministro, a mensagem também solicita que um representante da escola filme (com aparelho celular) trechos curtos da leitura da carta e da execução do Hino. A gravação deve ser precedida de autorização legal da pessoa filmada ou de seu responsável.

(...)

Após o recebimento das gravações, será feita uma seleção das imagens com trechos da leitura da carta e da execução do Hino Nacional para eventual uso institucional.”

Primeiro e-mail do ministro 

Às escolas, na segunda-feira (25), o ministro havia feito um convite à saudação dos “novos tempos” do Brasil e à celebração da “educação responsável”. 

Leia a íntegra da primeira mensagem do ministro: 

“Brasileiros! Vamos saudar o Brasil dos novos tempos e celebrar a educação responsável e de qualidade a ser desenvolvida na nossa escola pelos professores, em benefício de você, alunos, que constituem a nova geração. Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!”.

Ao HuffPost Brasil, o diretor da Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar), Arthur Fonseca Filho, afirmou que “não há sentido pedagógico na ordem”.

“O MEC não tem autoridade para isso. Não ficou claro se é um pedido ou uma ordem. Eu não posso gravar os meus alunos. É ilegal. Eles não explicaram o que vão fazer com os vídeos - e mesmo assim, continua sendo estranho”, disse.

Apoio ao hino, críticas à carta

No Twitter, há uma onda de apoio a execução do hino, mas também de críticas à leitura da carta. O filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), endossou o hino e recebeu recomendações para tirar a leitura da carta.

Além de críticas à proposta, começou no Twitter uma campanha para os pais encaminharem vídeos para o ministério com denúncias sobre as condições das escolas.