COMPORTAMENTO
23/03/2019 12:19 -03 | Atualizado 10/04/2019 16:56 -03

Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia, é apontada como exemplo de liderança

A primeira-ministra da Nova Zelândia se tornou um exemplo para outros países em como lidar com momentos de crise.

Edgar Su / Reuters

O jornal New York Times dedicou o seu editorial da última quinta-feira (21) para elogiar como a primeira-ministra da Nova Zelândia, JacindaArdern, reagiu  após os ataques nas mesquitas de Christchurch. 

O texto - intitulado “A América merece um líder tão bom quanto Jacinda Ardern” - saudou a política por sua reação rápida em anunciar a proibição de armas automáticas e semiautomáticas em todo o país.

O tiroteio em massa que aconteceu em 15 de março matou 50 pessoas e deixou diversas feridas. O ataque foi planejado por Brenton Tarrant, um extremista de direita.

De acordo com o texto, essa foi “apenas uma das áreas em que Ardern mostrou como deveria ser o papel de uma liderança em tempos de crise”.

Ardern tem apenas 38 anos, mas segundo o Times, “mostrou o caminho” para todo o mundo do que se espera de uma liderança como exemplo de empatia, respeito e combate ao ódio.

E nós concordamos.

Listamos aqui 4 vezes em que pudemos aprender com Ardern e sua forma de governar após o tiroteio em Christchurch.

Ela criticou como o discurso de ódio tem se espalhado nas redes sociais

No início desta semana, Jacinda Adern afirmou ao Parlamento da Nova Zelândia que as empresas responsáveis pelas redes sociais devem refletir sobre como a internet pode ser usada pela espalhar ódio e a violência.  

 

Não podemos simplesmente sentar e aceitar que essas plataformas simplesmente existem e que o que é dito dentro delas não é responsabilidade do meio em que essas mensagens são publicadas. Não pode ser um caso de pensar só no lucro, tem que ter responsabilidade."

Ela demonstrou respeito e empatia ao aparecer publicamente usando um lenço

Em vez de meras mensagens sobre respeito e luto, Jacinda Ardern demonstrou empatia ao aparecer em eventos públicos utilizando um lenço preto, similar aos que são usados por mulheres muçulmanas, quando foi visitar as famílias das vítimas.

O gesto da primeira-ministra foi acompanhado pela sociedade e diversas mulheres neozelandesas vestiram o véu para prestar homenagem às vítimas dos ataques.

Nas redes sociais, o movimento foi acompanhado pela hashtag #HeadScarfforHarmony (“Lenço para a harmonia”, em tradução literal).

 

Ela prometeu não dar visibilidade ao autor do atentado 

Em seus discursos, ela se recusou a pronunciar o nome do suspeito de cometer o ataque nas mesquitas.

Ele pode ter procurado notoriedade, mas nós na Nova Zelândia não lhe daremos nada. Nem mesmo o nome dele."

Ela não hesitou em condenar o racismo e a xenofobia na Nova Zelândia 

Durante uma visita realizada em uma escola de Christchurch, que perdeu alguns de seus alunos no ataque terrorista, Ardern usou a sua fala para pedir ajuda dos jovens.

“Não vamos deixar a Nova Zelândia ser um lugar onde há tolerância para o racismo. Nunca. As pessoas precisam se sentir seguras. E elas precisam poder praticar a sua religião, não importa qual seja. Se sentir seguro quer dizer que a gente não precisa ter medo da violência. O governo pode fazer muitas coisas para evitar a violência, e nós vamos fazer. Mas eu preciso da ajuda de vocês para criar um ambiente que não deixe a violência florescer. Nós não podemos ser coniventes com o racismo.”