NOTÍCIAS
07/01/2020 22:32 -03

Irã ataca bases americanas no Iraque em retaliação à morte de general

As bases militares de Al Asad e Erbil foram atingidas por foguetes; Resposta iraniana aumenta a tensão sobre conflito de maior proporção.

ARIF ALI via Getty Images
Muçulmanos xiitas no Paquistão protestam em frente ao consulado americano em  Lahore.

As bases aéreas de Al Asad e Erbil, que abrigam forças dos Estados Unidos no Iraque foram atacadas com foguetes na madrugada (hora local) de quarta-feira (8), numa clara resposta do Irã à morte do general Qasem Soleimani, que era o segundo homem mais poderoso do país.

Até as 22h30 (hora de Brasília), não havia informações sobre mortos ou feridos, mas o Pentágono confirmou os ataques com “mais de uma dúzia de mísseis” e disse que o governo avaliava “a situação e a sua resposta”. “Claramente os mísseis foram lançados do Irã e atingiram duas bases militares que abrigavam contingente americano e da coalizão em Al-Asad e Erbil”, afirma o texto.

A nota do Pentágono diz ainda que o Departamento de Defesa já havia tomado “todas as medidas apropriadas para proteger o contingente americano e de aliados”. “Essas bases já estavam sob alto nível de alerta por suspeita de que o regime iraniano planejava ataques a nossas forças na região.”

Os ataques ocorreram dois dias depois de o Parlamento iraquiano aprovar a expulsão de tropas americanas do país, mas não está claro se parte dos soldados já haviam deixado o território.

Em um comunicado da Guarda Revolucionária iraniana lido na TV estatal, o grupo diz que “a vingança feroz” pela morte de Soleimani “começou”.  

A Casa Branca inicialmente se limitou a dizer que estava ciente de relatos de ataques em várias instalações dos EUA no Iraque e que o presidente Donald Trump havia sido informado a respeito. 

“Estamos cientes de relatos de instalações dos EUA no Iraque. O presidente foi informado e está monitorando a situação de perto e consultando sua equipe de segurança nacional”, disse a porta-voz da Casa Branca Stephanie Grisham em comunicado.

A morte de Soleimani levou a uma escalada de tensão sem precedentes na já tensa relação entre Estados Unidos e Irã. O principal comandante militar iraniano, que liderava o braço de elite da Guarda Revolucionária do Irã, foi morto em um ataque no Iraque na madrugada da última sexta-feira (hora local).

Na ocasião, o Pentágono confirmou, em nota, que o ataque foi ordenado diretamente pelo presidente Donald Trump e que a ação que matou o general “teve como objetivo impedir futuros planos de ataque iranianos”.

Imediatamente, Teerã prometeu vingança e os temores de um conflito de dimensões maiores se instaurou. Soleimani era considerado o segundo homem mais importante do país, atrás apenas do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei (e à frente do presidente, Hassan Rouhani). 

O assassinato de Soleimani ocorreu após a invasão da embaixada americana em Bagdá por manifestantes no último dia 31. Segundo o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, os invasores eram “milicianos apoiados pelo Irã”.

O grupo, que incendiou cabines e torres de vigilância, protestava contra ataques americanos no Iraque realizados no fim de semana, depois que um empreiteiro civil americano foi morto em um ataque com foguete numa base militar no país.

Na nota divulgada após a morte de Soleimani, o Pentágono acusa o general de estar por trás do ataque que matou o civil americano em 27 de dezembro.