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19/05/2020 16:34 -03 | Atualizado 19/05/2020 16:56 -03

Interino, Pazuello nomeia 9 militares para cargos-chave no Ministério da Saúde

Presidente avalizou documento apresentado pelo ministro interino sobre ampliação do uso de cloroquina, e novo protocolo deve sair nas próximas horas.

Andressa Anholete via Getty Images
General era secretário-executivo e foi alçado à ministro interino com a saída de Nelson Teich. 

Mesmo interinamente no cargo, o general Eduardo Pazuello nomeou nesta terça-feira (19) 10 novos assessores para o Ministério da Saúde, 9 deles do Comando Militar do Exército, conforme consulta feita pelo HuffPost ao Portal da Transparência. A militarização foi um dos fatos que contribuiu para o isolamento do ex-chefe da pasta Nelson Teich e o levou a pedir demissão na última sexta-feira (15). 

Os militares vão exercer funções estratégicas como assessoria do ministro e substituição do secretário-executivo da pasta. Também há cargos administrativos e de execução orçamentária, e postos-chave como a diretoria de programa da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde da Secretaria Executiva, e também uma vaga no SUS.

O outro indicado, Alexandre Asteggiano, não é servidor público, mas foi nomeado para cargo de confiança, que dispensa concurso público. Ele vai trabalhar na assessoria do gabinete do ministro. (Veja abaixo a lista de todos os nomeados no Diário Oficial da União desta terça)

Pazuello está no comando do ministério desde a saída de Teich, mas segundo fontes da Saúde e do Palácio do Planalto, já era ele quem dava as cartas por lá como secretário-executivo. 

A tendência de indicar mais militares na Saúde teve início com a saída de Luiz Henrique Mandetta do comando da pasta em 16 de abril, quando Bolsonaro decidiu que queria ter total ingerência sobre a gestão do ministério. Em meio à pandemia de coronavírus, a principal bandeira do mandatário é fazer valer sua visão sobre como deve ser tratada a questão. 

Neste contexto, interlocutores contaram ao HuffPost que Bolsonaro chegou a se surpreender com a saída de Nelson Teich do governo, porque esperava que ele se adequasse ao seu discurso. Contudo, o médico não concordava com a política de ampliação do uso da cloroquina, a principal bandeira do presidente atualmente. 

Agora Bolsonaro já avisou às pessoas mais próximas que não está com pressa de substituir Eduardo Pazuello, que já conhecia de outros tempos, é seu homem de confiança, foi sua indicação pessoal para o MS quando Teich assumiu e é totalmente alinhado com ele. Como militar, o general está na pasta para “cumprir uma missão”, repete Bolsonaro a aliados conforme relatos. 

Foco na cloroquina

Com esse afinidade e sentimento de cumprimento de dever, Pazuello levou na noite de segunda (18) ao presidente algo que ele vinha cobrando dos 2 antecessores, Teich e Mandetta: um novo protocolo para uso de cloroquina. 

Foi entregue um esboço no qual o general sugeriu a flexibilização do uso de cloroquina. Segundo informações passadas ao HuffPost, Bolsonaro não ficou completamente satisfeito. 

Nesta primeira versão, o ministro interino sugeriu a ampliação do uso de cloroquina para todos os níveis de covid-19, estabelecendo escalas de dosagem conforme a gravidade do paciente. Também destacou a necessidade de que paciente ou responsável concordem, em um termo, com a utilização da medicação. 

Esta manhã, os 2 se encontraram novamente. Um novo documento foi apresentado, desta vez também liberando a cloroquina para ser usada por crianças, grávidas e mulheres que acabaram de ter filhos. Com aval do presidente, espera-se a publicação das novas regras em breve.

Para ampliar o uso da cloroquina, o Ministério da Saúde vai usar como argumento um protocolo do CFM (Conselho Federal de Medicina) que liberou o uso do medicamento após o início de sintomas. O presidente da entidade, Mauro Ribeiro, porém, destacou na época, no fim de abril, que “não existe nenhuma evidência científica forte que sustente o uso da hidroxicloroquina para o tratamento da covid”. 

Bolsonaro estuda convocar pronunciamento em rádio e TV nesta noite para falar do novo protocolo de cloroquina, se for publicado nesta terça.

Veja os nomeados nesta terça para o Ministério da Saúde: 


Do Comando do Exército


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Luiz Otávio Franco Duarte - Assessor Especial do Ministro; 

- Giovani Cruz Camarão - Coordenador de Finanças, da Coordenação-Geral de Execução Orçamentária, Financeira e Contábil, da Diretoria-Executiva do Fundo Nacional de Saúde da Secretaria Executiva; 

- André Cabral Botelho - Coordenador de de Contabilidade, da Coordenação-Geral de Execução Orçamentária, Financeira e Contábil, da Diretoria-Executiva do Fundo Nacional de Saúde da Secretaria Executiva; 

- Marcelo Sampaio Pereira - Diretor de Programa, da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde; 

- Vagner Luiz da Silva Rangel - Coordenador-Geral de Execução Orçamentária, Financeira e Contábil, da Diretoria-Executiva do Fundo Nacional de Saúde da Secretaria Executiva; 

- Mario Luiz Ricette Costa - Assessor Técnico, da Subsecretaria de Planejamento e Orçamento; 

- Ramon da Silva Oliveira - Coordenador-Geral de Inovação de Processos e de Estruturas Organizacionais, da Subsecretaria de Assuntos Administrativos;

- Antonio Elcio Franco Filho - substituto eventual do Secretário-Executivo do Ministério da Saúde:

 

- Angelo Martins Denicoli - Diretor do Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS; 

 

Não servidor público: 

- Alexandre Magno Asteggiano - Assessor do Gabinete do Ministro.

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