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08/02/2019 18:12 -02 | Atualizado 09/02/2019 13:58 -02

Flamengo: O que se sabe até agora sobre o incêndio no Ninho do Urubu

Dez jovens jogadores morreram e outros 3 ficaram feridos; Todos estavam dormindo.

Sergio Moraes / Reuters
As vítimas são jogadores das categorias de base - com idades entre 14 e 17 anos. 

O incêndio que atingiu as instalações do Ninho do Urubu, como é chamado o Centro de Treinamentos Presidente George Helal, do Flamengo, na madrugada desta sexta-feira (8), matou 10 jovens e deixou pelo menos 3 feridos.

No local, jogadores entre 14 e 17 anos que não residiam no Rio dormiam.

O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, classificou o desastre como “a maior tragédia pela qual o clube já passou nos seus 123 anos”.

O governador do estado, Wilson Witzel, e o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, decretaram luto oficial de três dias.

Veja o que já se sabe sobre a tragédia dos jovens do Flamengo.

O que aconteceu?

Pouco depois das 5h desta sexta-feira, o Corpo de Bombeiros foi acionado para conter um incêndio de grandes proporções que atingiu o alojamento das categorias de base do Flamengo, na área mais antiga do Centro de Treinamento. As vítimas estavam dormindo.

Segundo o comandante do grupamento de Busca e Salvamento dos Bombeiros, tenente coronel Douglas Henaut, os jogadores que conseguiram se salvar deixaram a estrutura antes de as chamas se espalharem rapidamente. O fogo só foi controlado às 6h. 

O que causou?

Segundo o vice-governador do Rio, Cláudio Castro, que esteve no local nesta sexta, a principal suspeita no momento é de que uma pane no aparelho de ar-condicionado do alojamento tenha causado o incêndio.

Um dos sobreviventes, Felipe Cardoso, que é meia da equipe sub-17, informou que o incêndio começou enquanto ele dormia. 

Quem são as vítimas?

As vítimas são jogadores das categorias de base - com idades entre 14 e 17 anos.

Os 10 jovens que não conseguiram escapar com vida são Athila Paixão, Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo Santos, Pablo Henrique da Silva Matos, Vitor Isaías, Samuel Thomas Rosa e Rykelmo de Souza Vianna. 

Há ainda três feridos, sendo que um deles em estado grave. O jogador Jonathan Cruz Ventura, 15, teve cerca de 30% do corpo atingido e apresenta queimaduras de terceiro grau. Os demais, também jogadores, são Kauan Emanuel Gomes Nunes, 14, e Francisco Diogo Alves, 15.

O flamengo divulgou uma nota sobre o estado de saúde dos jovens:

“O Clube de Regatas do Flamengo informa que os atletas Kauan Emanuel e Francisco Dyogo estão em situação estável no Hospital Vitória, ambos acordados e conscientes. Os meninos apresentam algumas lesões de via aérea por inalação de fumaça e escoriações pelo corpo e seguem em observação, ficando internados na UTI de hoje para amanhã, sábado (9). O chefe do Departamento Médico do Flamengo, Dr. Márcio Tannure, e o clínico cardiologista do Vitória, responsável pela internação dos atletas, Dr. Fernando Bassan, acompanham a evolução do quadro.

Já o atleta Jhonata Ventura está internado no hospital municipal Pedro II, em estado grave. Ele foi atingido na face, membros superiores e mãos, e tem queimaduras em 30% do corpo. Os médicos do Flamengo, Drs. Luiz Baldi e Gustavo Dutra, acompanham a situação de Jhonata, que está sob os cuidados da equipe especializada do Centro de Tratamentos de Queimados.”

De acordo com um funcionário do centro de treinamento, a tragédia poderia ter sido maior. Devido às chuvas na capital, as atividades desta sexta-feira tinham sido suspensas e muitos garotos já tinha deixado o alojamento e retornado para casa.

“Era o dia de folga pra nossa sorte. Demos folga ontem por causa da tempestade e cancelamos o treino de ontem e o de hoje. Alguns atletas que moravam mais próximos foram pra casa”, declarou o funcionário em entrevista ao G1. Ele preferiu não se identificar.

 

Licença era para estacionamento, não para alojamento

A prefeitura do Rio divulgou uma nota na qual afirma que área em que estava construído o alojamento tinha licença para funcionar apenas como estacionamento.

“A área de alojamento atingida pelo incêndio, não consta do último projeto aprovado pela área de licenciamento, em 05/04/18, como edificada. No projeto protocolado, a área esta descrita como um estacionamento. Não há registros de novo pedido de licenciamento da área para uso como dormitórios”, diz o texto. A licença tinha validade até 8 de março.

Reformas e demolição

O clube tinha feito reformas recentemente no centro e inaugurou um novo módulo, em novembro, para os jogadores profissionais.

A previsão inicial, inclusive, era de que a parte mais antiga, onde ficava o alojamento incendiado, fosse demolida.

A expectativa era de que os jovens fossem realocados nos novos dormitórios na próxima semana.