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15/05/2019 18:54 -03

'Idiotas úteis'? Manifestantes e políticos reagem a crítica de Bolsonaro

“Educação também é saber ouvir”, afirmou Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Em resposta aos protestos contra cortes na Educação que ocuparam as ruas de várias cidades pelo País, o presidente Jair Bolsonarochamou os manifestantes de “idiotas úteis” e de “massa de manobra”. A crítica foi logo rebatida pelos próprios estudantes e professores, além de políticos e celebridades.

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que também está nos Estados Unidos, foi um dos primeiros a responder a Bolsonaro. Ao site G1, ele disse que “educação também é saber ouvir”.

“Educação também é saber ouvir, discutir com respeito e encontrar soluções para os nossos desafios, e isso vale para todos os lados. O Congresso vai fazer o seu papel: ouvir, discutir e apontar caminhos”, disse Maia.

A ex-candidata à Presidência pela Rede, Marina Silva, afirmou que a declaração de Bolsonaro “só reforça a necessidade de mais educação, inclusive para quem ocupa os mais altos postos da República”, enquanto o ex-candidato pelo PSol, Guilherme Boulos, disse que a fala “revela o nível de quem está na presidência da República”.

As críticas vieram, em grande parte, de políticos de oposição. Mas não só. Algumas personalidades e grupos identificados com os conservadores também viram como equivocada a declaração do presidente.

Em sua conta no Twitter, o movimento MBL disse ser ”óbvio” que havia gente defendendo “Lula livre” em meio aos protestos. “Mas essa turma não enchia o quarteirão do MASP há anos. A pauta do corte pegou gente fora da bolha da esquerda e isso não é bom para o governo”, escreveu. “Vi nas redes sociais ‘idiotas’ que eram anti-petistas. Jogar essa turma no colo da esquerda é um presente que Bolsonaro dá hoje.”

 

Confira algumas reações nas redes sociais

O termo “idiota” foi um dos mais comentados no Twitter.

A hashtag #TsunamiDaEducação chegou a ser a terceira mais popular em todo o mundo.

No Brasil, também estavam entre os assuntos mais comentados as hashtags #NaRuaPelaEducacao e #ForaBolsonaro, além da frase “Lula livre”.

 

No Twitter, estudantes cobraram que o presidente respeite os manifestantes

Os protestos

Ao longo do dia, enquanto o ministro da Educação, Abraham Weintraub, era sabatinado no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, uma multidão ocupou pelo menos dois quarteirões da Avenida Paulista, em São Paulo, fechando todas as oito pistas.

Em Brasília, os protestos começaram pela manhã e, segundo os organizadores, reuniram 50 mil pessoas - a Polícia Militar estima que 15 mil manifestantes participaram. No início da tarde houve um princípio de confusão, e imagens mostraram manifestantes correndo de policiais pelos gramados da Esplanada dos Ministérios.

No centro do Rio, manifestantes enfrentaram a chuva e se aglomeraram em frente à Candelária. Capitais como Recife, Belo Horizonte e Florianópolis também registraram protestos.