OPINIÃO
02/03/2020 06:43 -03 | Atualizado 02/03/2020 06:43 -03

Sub-Tarantino, a série 'Hunters' é a maior decepção de 2020 até agora

Confusa mistura de pulp estiloso com drama, produção da Amazon é um pastiche tarantinesco que não acerta em praticamente nada.

Grande aposta da Amazon para o primeiro semestre de 2020, a série Hunters chegou à plataforma cheia de pompa e circunstância - com um elenco encabeçado por ninguém mais, ninguém menos que Al Pacino, debutando no formato, e produção executiva de Jordan Peele, um dos cineastas do momento.

Desde 2017, o serviço Prime Video vem investindo pesado em produções originais para engrossar seu catálogo e poder competir em pé de igualdade com Netflix, HBO e novos players como Disney+ e Apple TV+.

Em alguns casos, acertando na mosca, como em The Marvelous Mrs. Maisel, Fleabag, Modern Family, The Boys e Undune - porém, em outros, errando feio, como em Jack Ryan, Carnival Row, Hanna e The Tick.

Infelizmente, Hunters pertence ao segundo grupo.

Sub do sub-Tarantino, a série criada e escrita por David Weil não acerta em praticamente nada. A começar pela mistura confusa de pulp com drama sério. quando quer ser engraçada, não faz rir, e quando se pretende profunda, escorrega nos maneirismos de pastiches tarantinescos, cheios de personagens com muito estilo e pouco conteúdo, e uma trilha sonora cool.

Tanto em sua linguagem quanto na trama, Hunters lembra muito a franquia Kingsman, nos apresentando um grupo de caçadores de nazistas na Nova York de 1977. Cada um deles com um visual e habilidades distintas. Tem o especialista em disfarces, o casal especialista em tecnologia, a freira assassina, o cara que decifra códigos e por aí vai.

Divulgação
Meyer Offerman (Al Pacino) e seus caçadores de nazistas, que deveriam mesmo é matar o tédio que a série causa em quem se aventura por seus intermináveis 664 minutos de duração.

Os nazistas, infiltrados nas mais variadas posições dentro dos Estados Unidos, constituem uma sociedade secreta que está por trás de todo o mal perpetrado na terra do Tio Sam desde o final da Segunda Guerra Mundial. E eles serão caçados, julgados e vingados com requintes de crueldade, para o delírio da galera.

O tom de galhofa pulp não é um problema em si. Se ficasse só nisso, Hunters poderia ser até divertida. A questão é que a série tenta justificar sua violência e humor sombrio com subtramas dramáticas que simplesmente não ornam entre si. Você não sabe se leva a sério ou não a história o tempo todo.

E bota tempo nisso! Pois após encarar um piloto de intermináveis 1 hora e meia de duração, você terá pela frente mais nove episódios com uma média de 1 hora cada. São, ao todo, gigantescos 664 minutos de muita repetição. Parece até que o próprio Weil é mais sádico que seus personagens e quer mesmo é nos torturar.

Al Pacino, coitado, tenta até dar algum peso para seu personagem, Meyer Offerman, o líder do grupo de caçadores, mas é uma luta inglória e em vão. Seus companheiros de elenco - com exceção de Greg Austin, como o neonazista Travis Leich, e Jerrika Hinton, como a agente Millie Morris, - se perdem entre a caricatura e o drama rasgado. Isso sem falar do protagonista sem qualquer carisma interpretado pelo sem sal Logan Lerman, mais conhecido pela franquia Percy Jackson, que já era um sub-Harry Potter.  

Hunters é a maior decepção de 2020 até o momento. Claro que ainda há muita água para rolar debaixo da ponte, mas o ano começou muito mal em relação a séries. Quer ver uma boa história de judeus caçando nazistas? Selecione no mesmo Amazon Prime Video Bastardos Inglórios, aperte o play e divirta-se.