LGBT
22/12/2019 16:58 -03 | Atualizado 22/12/2019 17:01 -03

Ativistas LGBT e celebridades publicam selfies com 'cara de homossexual terrível'

“Você tem uma cara de homossexual terrível", disse o presidente Jair Bolsonaro após ser questionado por jornalista nesta sexta-feira (20).

Reprodução/Instagram/Montagem HuffPost
Daniela Mercury publicou imagem em que ironiza a fala do presidente Jair Bolsonaro sobre "cara de homossexual terrível".

Pessoas LGBT, ativistas e celebridades reagiram nas redes sociais à fala do presidente Jair Bolsonaro na última sexta-feira (20) que, visivelmente irritado com questionamentos da imprensa, afirmou após pergunta de um repórter do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, que ele “tem uma cara de homossexual terrível” e que “nem por isso eu te acuso de ser homossexual”. 

A declaração, considerada discriminatória, causou a mobilização no Twitter e no Instagram. Neste fim de semana, entre sábado (21) e domingo (22), usuários, ativistas e celebridades publicaram selfies nas redes sociais para mostrar qual é a “cara de homossexual terrível” a qual Bolsonaro se referiu anteriormente.

Entre as celebridades que se posicionaram, está a cantoraDaniela Mercury. Crítica de Bolsonaro e casada com a produtora Malu Verçosa, ela publicou uma foto em seu Instagram em que aparece sorrindo e feliz. Na legenda, escreveu: “cara de homossexual terrível” ao lado de um emoji de arco-íris.

Até o momento, a imagem conta com quase 12 mil curtidas. Nos comentários, outros artistas e fãs elogiaram a atitude de Daniela. O cantor Flávio Venturini elogiou a beleza dela, enquanto o influenciador digital, Gominho, e a também cantora Oxa, a chamaram de “rainha”. 

Malu Verçosa, que é jornalista por formação, também postou sobre. Em seu Instagram, publicou uma foto ao lado da esposa e perguntou: “Mãe, temos cara de homossexuais terríveis?” junto das hashtags, ”#comosedizembombaianês #vaicatarcoquinho #jornalistas #univos”.

O deputado distrital Fábio Félix, que é presidente do PSol-DF, publicou uma foto em que aparece segurando uma placa que diz “LGBTfobia é crime, sim”. E escreveu que “não vai descansar enquanto não derrotar esse presidente LGBTfóbico.”

“Não adianta atacar a nossa existência para tentar abafar as acusações de que Flávio Bolsonaro pode ser o chefe de uma organização criminosa”, completou.

Ativistas LGBT como os advogados Thiago Amparo e Renan Quinalha e Toni Reis, diretor-presidente da Aliança Nacional LGBTI+, também publicaram selfies nas redes sociais ironizando a fala do presidente e pontuando que são “terríveis” e “orgulhosos” de serem homossexuais.

O jornalista e consultor de estilo, André Do Val, também publicou uma selfie enaltecendo sua “cara terrível de homossexual”, assim como outros usuários no Twitter. Alguns chegaram a usar a hashtag #homossexualterrivel, para publicar selfies ou imagens comuns do dia a dia.

O presidente Jair Bolsonaro é conhecido por seu histórico recente de declarações homofóbicas e cuja agenda conservadora coloca em risco conquistas e pleitos da comunidade LGBT. Ele nega que suas falas sejam de cunho homofóbico ou racista e, recentemente, disse que a criminalização pelo STF, que equiparou LGBTfobia à Lei de Racismo pode prejudicar LGBTs.

No contexto da declaração, Bolsonaro estava enraivecido. Entre gritos e palavrões, o presidente também afirmou a jornalistas na última sexta-feira, que a imprensa “só vê um lado” e que faz um “trabalho de porco”

Em seguida, depois de dizer que ele era o responsável por um empréstimo de 40 mil reais a Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, um outro jornalista perguntou se Bolsonaro teria o comprovante do empréstimo.

″Ô rapaz, pergunta para tua mãe o comprovante que ela deu para o teu pai, certo?”, respondeu o presidente. “Você tem a nota fiscal desse relógio que está no teu braço? Não tem, porra.”

Com palavrões, Bolsonaro também mandou um repórter parar de falar enquanto ele estava respondendo e, aos gritos, cobrou que os jornalistas dissessem se o processo de Flávio estava ou não em segredo de Justiça. 

Essa foi a primeira vez que o presidente falou sobre a nova fase da investigação envolvendo seu filho Flávio, que está sendo investigado sob acusação de um suposto esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.

Desde o estouro da operação, na quarta-feira, ele se reuniu com o filho e o advogado de Flávio, Frederick Wassef, algumas vezes.

Adriano Machado / Reuters
De acordo com o presidente, se ele não estiver com “a cabeça no lugar”, ele “alopra”.

Na quarta, Bolsonaro evitou os jornalistas. Na quinta-feira, ao ser perguntado sobre o caso, disse que falaria sobre os seus problemas, mas que, “dos outros”, não tinha nada a ver com isso.

Neste sábado (21), Bolsonaro disse que “errou” e mandou “um beijo” para o repórter que disse ter “uma cara de homossexual terrível”. 

“Para quem que eu falei que era terrivelmente homossexual? Não está aqui hoje? Manda um beijo para ele. É igual futebol: ali na frente, de vez em quando, você manda seu colega para a ponta da praia [expressão usada para se referir à base da Marinha, local que teria sido usado para tortura na ditadura militar]. Depois vai tomar uma tubaína com ele”, declarou o presidente durante café da manhã com os jornalistas.

Na reunião com a imprensa, o presidente também reclamou da exposição de sua família e chamou de “estardalhaço enorme” as informações divulgadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em relação à esquema de lavagem de dinheiro que envolveria Flávio Bolsonaro.

De acordo com o presidente, se ele não estiver com “a cabeça no lugar”, ele “alopra”.