LGBT
04/09/2019 17:15 -03 | Atualizado 04/09/2019 17:45 -03

Times de futebol se engajam e prometem que, com grito homofóbico, não tem jogo

Todos os times da Série A do Campeonato Brasileiro apoiam a ideia de que "pior que prejudicar seu time é cometer um crime".

Carlos Gregório Jr./Vasco da Gama
Após polêmica em São Januário, time do Vasco entra em campo diante do Cruzeiro segurando a faixa "homofobia é crime".

Depois dos cantos homofóbicos no último jogo contra o São Paulo em São Januário, no Rio de Janeiro, o time do Vasco entrou em campo na semana seguinte diante do Cruzeiro com uma faixa que dizia “homofobia é crime”, reforçando a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), de punir ações homofóbicas com multa ou até perda de pontos dos clubes.

Mas a atitude do time carioca não foi isolada. Após o árbitro Anderson Daronco paralisar, pela primeira vez no País uma partida de futebol ― na ocasião, entre Vasco e São Paulo ― por que a torcida gritava “viado, time de viado” e só retomar quando técnicos se posicionaram, outros 20 clubes da Série A do campeonato brasileiro prometeram que se tiver homofobia, não tem jogo. 

No dia 30 de agosto, os principais times de futebol do Brasil se uniram em um manifesto que foi publicado em conjunto nas redes sociais de cada clube acompanhado da hashtag #DigaNãoàHomofobia. “Clubes da série A se unem pelo combate à homofobia, não somente em campo, mas no dia a dia.”

“São inaceitáveis práticas ainda existentes em nossos estádios: temos que dar um basta! Pior que prejudicar o seu time é cometer um crime. Grito homofóbico não é piada, muito menos cântico de torcida. Grito homofóbico é crime, dentro e fora dos estádios. Diga não à homofobia!”, finaliza o texto do manifesto.

Após o final da Copa América deste ano, realizada no Brasil, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) passou a punir com multa ou até perda de pontos os clubes cujos torcedores cantarem gritos homofóbicos durante os jogos.

“Suspensão de cinco a dez partidas, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de cento e vinte a trezentos e sessenta dias, se praticada por qualquer outra pessoa natural submetida a este Código”, diz texto da legislação.

A Procuradoria, caso identifique a ocorrência de homofobia ou haja o relato em súmula ― verbete jurídico que registra a interpretação pacífica ou majoritária ― por parte de algum árbitro, autores da discriminação poderão ser denunciados.

A medida atende à recente criminalização da homofobia no País estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a diretrizes internacionais da Fifa. 

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quinta-feira (13), que a LGBTfobia deve ser equiparada ao crime de racismo até que o Congresso Nacional crie uma legislação específica sobre este tipo de violência.

Com isso, ofender ou discriminar homossexuais ou transgêneros estará sujeito a punição de 1 a 3 anos de prisão, assim como estipulado na Lei de Racismo. A pena para estes crimes será inafiançável e imprescritível.