OPINIÃO
04/07/2019 09:00 -03 | Atualizado 04/07/2019 09:34 -03

Filme do Homem-Aranha diverte, mas não cumpre com suas responsabilidades

"Longe de Casa" sente o peso de iniciar nova fase do MCU e não entrega o que prometia.

HuffPost Brasil
Tom Holland mantém seu jeitão adolescente como Peter Parker/Homem-Aranha. 

Chegou a hora do Homem-Aranha mostrar que está pronto para assumir o papel de protagonista no Universo Cinematográfico Marvel. Desafio que não é algo novo para Peter Parker, um personagem que precisa constantemente provar o seu valor desde sua primeira aparição nos quadrinhos, em 1962. 

Ele é (e sempre será) o garoto que passa por todos os perrengues possíveis para sobreviver, carregando um pesado fardo de responsabilidades da vida pessoal x obrigações de um super-herói.

Porém, a missão agora é das mais complicadas. E não tem nada a ver com um vilão mal-intencionado. 

Homem-Aranha Longe de Casa marca uma passagem de bastão importante para o futuro. Tony Stark/Homem de Ferro o escolheu como seu substituto no papel de um dos líderes dessa nova fase do MCU que termina com este filme, que serve como um epílogo pós Vingadores: Ultimato (2019). Ou seja, agora é o momento do Homem-Aranha ser a cara da Marvel no cinema.

No entanto, Peter falhou.

HuffPost Brasil
Química entre Holland e Jake Gyllenhaal é boa, mas não ao ponto de superar buracos no roteiro.

O segundo filme solo do Cabeça de Teia no MCU tem seus bons momentos, mas não consegue posicionar a franquia como líder de uma nova leva de produções da Marvel Studios. Ele tenta, até demais, mas sucumbe aos excessos típicos de quem quer impressionar a qualquer custo.

O filme é longo demais, cheio de momentos e personagens que não adicionam absolutamente nada à trama e se apoia em um plot twist que será surpreendente apenas para quem desconhece totalmente as personagens e seus antagonistas mais tradicionais, como Mysterio.

A história começa com um bom ritmo, fazendo piada com o incidente do estalar de dedos de Thanos e apostando no clima de aventura adolescente de Sessão da Tarde. Mas a “revelação” das verdadeiras intenções de Quentin Beck/Mysterio (Jake Gyllenhaal) — inserido de forma muito bem sacada no MCU — demora DEMAIS para acontecer, deixando a história arrastada. 

Outro fator negativo é a propaganda enganosa da Marvel, que deu várias dicas de que Homem-Aranha Longe de Casa entraria na seara do multiverso, tão bem colocado na excelente animação Homem-Aranha no Aranhaverso (2018), mas isso não passava de uma pegadinha do Malandro colocada com mais uma das ilusões de Mysterio.

O que não é truque é o tema muito acertado e atualíssimo do filme: as fake news. É sempre interessante ver uma produção como essa, um produto que poderia ter como objetivo apenas o entretenimento, discutir um assunto que impacta tanto nossa sociedade. A desinformação é a grande vilã da vez.

HuffPost Brasil
Zendaya se sai muito bem ao ter mais tempo de tela como MJ. 

Na trama, Perter Parker/Homem-Aranha (Tom Holland) sai de férias em uma excursão pela Europa com seus amigos do colégio. Seu plano é esperar o momento certo para se declarar para MJ (Zendaya), mas ele é atrapalhado por Nick Fury (Samuel L. Jackson), que o convoca para ajudar Mysterio, um super-herói de uma realidade paralela, a combater seres místicos chamados Elementais.

Se o diretor John Watts (A Viatura e Homem-Aranha: De Volta ao Lar) tivesse um nome com mais peso para cortar a gordura e se ater às boas sequências, como a da primeira luta entre o Homem-Aranha e Mysterio, seríamos poupados de ver cenas constrangedoras como a de Mysterio contando para seus próprios cúmplices como enganou todo mundo. 

Homem-Aranha Longe de Casa está longe de ser um filme ruim, mas não tem punch suficiente para marcar uma nova e importante fase para a Marvel no cinema. Como já diria o saudoso Tio Bem: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.