OPINIÃO
31/05/2020 10:43 -03 | Atualizado 31/05/2020 10:43 -03

'Homecoming' desconstrói as teorias da conspiração em sua 2ª temporada

Tom hitchcockiano e Janelle Monáe são pontos altos do retorno de umas das melhores séries do Amazon Prime.

A primeira temporada de Homecoming foi lançada no Amazon Prime Video em novembro de 2018 sem muito alarde. Mesmo assim, não demorou para se transformar em uma das séries queridinhas da crítica e do público naquele ano.

Também, além de uma trama muito bem amarrada baseada no bem-sucedido podcast de ficção do canal Gimlet, a produção marcava o retorno da atriz Julia Roberts aos holofotes e sua estreia no formato. Isso sem falar na direção sempre criativa do virtuoso Sam Esmail, criador da cultuadíssima Mr. Robot (2015 - 2019).

Quase dois anos depois, os roteiristas Micah Bloomberg e Eli Horowitz – criadores do texto do podcast e da primeira temporada da série original – voltam a sua função para uma segunda. Agora com Julia Roberts e Esmail na função de produtores executivos.

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A cantora/atriz Janelle Monáe tinha uma missão complicada, substituir Julia Roberts, mas se saiu muito bem como a nova protagonista da história.

A história ao redor da misteriosa empresa Geist continua a nos instigar e muitos personagens da trama da temporada anterior estão de volta, como o ex-soldado Walter Cruz (Stephan James), o executivo babaca por trás do projeto Homecoming, Colin Belfast (Bobby Cannavale), e a misteriosa Audrey Temple (Hong Chau).

Mas a protagonista é totalmente nova. Sai a simpática assistente social Heidi Bergman (Roberts) e entra outra mulher sem memória, porém bem mais misteriosa, interpretada pela cantora/atriz Janelle Monáe. Ela, aliás, é um dos pontos altos do retorno de Homecoming.

Outra mudança significativa na segunda temporada é a troca de Esmail por Kyle Patrick Alvarez na direção. Alvarez leva à produção um estilo mais hitchcockiano à narrativa. No entanto, é mais contido no que diz respeito aos arroubos estéticos de Esmail. Mesmo brincando com o tempo ao contar a história de uma mulher que acorda em um bote no meio de um lago sem saber como parou lá e nem quem ela própria é, ele opta por uma construção mais conservadora que seu antecessor.

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Audrey Temple (Hong Chau) retorna para mostrar que nada segue sendo o que aparenta ser em "Homecoming".

O grande barato da segunda temporada de Homecoming – mas que pode decepcionar muitos fãs da primeira – é dar muita ênfase à forma com que a narrativa vai descascando aos poucos cada camada dos acontecimentos para explicar quem é a protagonista da história e o que fez ela parar naquele bote. Por conta disso, vamos descobrindo o quão patéticas são as teorias da conspiração.

O problema é que, ao optar por essa desconstrução, a história vai perdendo a forte pegada de thriller de seus dois primeiros episódios e vai se transformando em estudos de personagens, pois os pontos de vista do narrador saltam da personagem de Monáe para Audrey Temple, depois Walter Cruz e, por fim, Leonard Geist, outra novidade dessa nova temporada, interpretado pelo sempre competente Chris Cooper.

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Outra novidade no elenco é Chris Cooper como o fundador da misteriosa (ou nem tanto) empresa Geist.

A revelação dos mistérios como fatos banais tem, sim, sua carga de frustração, mas o que vale aqui mesmo é a construção do quebra-cabeças, e não sua imagem revelada ao término de sua montagem. Uma brincadeira narrativa que talvez funcione melhor no formato podcast, apenas com áudio, mas que não chega a estragar a experiência na tela.

Como já foi dito, os fãs da primeira temporada podem não achar esta tão instigante quanto, mas ela tem, ainda assim, seus atrativos.

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