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11/08/2020 15:50 -03 | Atualizado 28/08/2020 18:07 -03

‘Esta história de que a Amazônia arde em fogo é uma mentira’, diz Bolsonaro

Para o presidente, é preciso combater a mentira com número verdadeiros. Dados do Inpe mostram aumento no desmatamento.

Alexandre Schneider via Getty Images
“Por ser floresta úmida, não pega fogo", diz o presidente. 

O governo do presidente Jair Bolsonaro voltou a considerar injustas as críticas em relação à sua política ambiental. Em encontro virtual com líderes de países da região amazônica, o presidente afirmou que é “mentira” que a Amazônia esteja ardendo em fogo. Para justificar, ele usou dados parciais de desmatamento.

Bolsonaro afirmou que houve diminuição de 28% nas queimadas e no desmatamento na Amazonia em julho. No entanto, o acumulado dos últimos 12 meses mostra aumento de 33% — o maior índice em 5 anos. Os dados, tanto o parcial quanto o acumulado, são do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e foram divulgados no último dia 7.

“Por ser floresta úmida, como é em grande parte a dos senhores, não pega fogo. Esta história de que a Amazônia arde em fogo é uma mentira, e nós devemos combater isso com números verdadeiros, é o que estamos fazendo aqui no Brasil”, disse o presidente.

O presidente repetiu o que o vice-presidente Hamilton Mourão vem falando nos últimos meses em relação às críticas. Ambos consideram que há interesses internacionais econômicos em controlar a Amazonia. “Somos criticados, afinal de contas o Brasil é uma potência no agronegócio, ameaças existem sobre nós o tempo todo”, argumenta.

“Nós sabemos da importância dessa região para todos, bem como os interesses de muitos países outros nessa região. Também sabemos o quanto somos criticados de forma injusta por muitos países do mundo. Nós, com perseverança e verdade, devemos resistir. Esta região é muito rica, é praticamente o que restou no mundo no tocante a riqueza ambiental e mineral”, pontua.

No mesmo encontro, Mourão reforçou o argumento. Disse que alguns países “se aproveitaram da crise para avançar em interesses protecionistas e renovar atitudes neocolonialistas”. O vice-presidente afirmou que será mantida a repressão aos crimes ambientais.

Esse combate, porém, tem deixado a desejar. Desde o ano passado o Ibama e o ICMBio vem passando por um processo de esvaziamento. Na semana passada, por exemplo, o Ministério da Defesa interrompeu uma ação de combate a crimes ambientais no Pará, sem expor o motivo.

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