COMIDA
23/06/2019 01:00 -03 | Atualizado 26/06/2019 14:52 -03

Animalchef, a hamburgueria que oferece bom burger vegano - sem gosto de bicho

Na melhor versão "bom, bonito e barato", este fast food propõe lanches completos sem ingredientes de origem animal e com preço justo.

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Animalchef foi criado em 2016 com a ideia de ser um fast food vegano.

Uma hamburgueria onde não há sequer um ingrediente de origem animal. É possível que isso não seja uma baita novidade em países como Inglaterra ou Alemanha, onde há um grande mercado vegano. Mas quando isso acontece em um dos países que mais consome carne no mundo, só há uma explicação para uma pequena hamburgueria vegana fazer o maior sucesso: a comida é realmente boa

Criada em 2016 pelo empresário Carlos Dias, a hamburgueria Animalchef, no centro de São Paulo, tem a proposta de ser um fast food vegano saboroso a um preço justo, na contramão de um setor que geralmente aproveita a alta demanda para oferecer produtos mais caros. 

Uma pesquisa feita pelo Ibope Inteligência em 2018 mostrou que 14% dos brasileiros com mais de 16 anos (cerca de 22 milhões de pessoas) concordam parcial (6%) ou totalmente (8%) com a afirmação “sou vegetariano”.

A hamburgueria também não tem qualquer apego ao hambúrguer tradicional de carne. Enquanto frigoríficos e startups investem em hambúrgueres veganos com sabor idêntico ao de carne, o Animalchef tem uma proposta diferente: um hambúrguer de plantas saboroso ― e não com gosto de bicho. 

“A intenção nunca foi fazer um produto idêntico à carne, mas sempre quisemos fazer algo que a substituísse em termos nutricionais e de experiência”, disse Carlos Dias ao HuffPost Brasil. “Ao ver um hambúrguer vegano e um hambúrguer tradicional na época em que começamos [2016], dava pra perceber o imenso abismo que existia entre os dois. Não havia nenhum ‘appeal’ no vegano, as pessoas comiam pra tentar satisfazer aquela vontadezinha de um hambúrguer.”

Carlos começou trabalhando com mais quatro funcionários em feiras e eventos veganos quando viu suas vendas deslancharem. Dois anos depois, ele decidiu abriu sua hamburgueria no centro de São Paulo, na Rua Augusta. Normalmente sempre cheio, o local não recebe só veganos, mas também vegetarianos (que só deixaram de comer carne), flexitarianos (que reduziram seu consumo de carne) e carnívoros. Segundo Dias, o segredo é acertar no tempero e evitar taxar o veganismo “saudável” à marca.

“O veganismo se confunde muito com a alimentação saudável, sem sabor, tempero ou prazer. Tentamos quebrar esses paradigmas e levantamos a bandeira do junk food vegano”, diz.

Não abrimos mão da batata frita, do óleo na chapa e do prazer de comer. Com essa pegada conquistamos os corações de muita gente que come carne, e acreditamos muito na nossa fórmula.Carlos Dias, dono do Animalchef

 

Sem animal... E nem soja

A soja é um dos principais ingredientes para hambúrgueres veganos. O Animalchef não quis usá-la, tanto por seu sabor e textura, quanto pelos princípios da empresa. Afinal, se você não come carne por causa do meio ambiente, não vai ajudar muito comer um dos produtos cujo plantio mais desmata a Amazônia

Por isso, o hambúrguer do Animalchef leva outros ingredientes, como lentilha vermelha, arroz 7 grãos, cenoura, beterraba, farinha de mandioca e especiarias. 

Para chamar mais público, a hamburgueria cria um hambúrguer diferente a cada semana, além de cinco opções fixas no cardápio. Com influências de cozinhas de diversos países, o Animalchef já criou 50 hambúrgueres diferentes que custam entre R$ 15 e R$ 22 (só o lanche), e entre R$ 24 e R$ 28 com o combo. 

Além do sanduíche, o estabelecimento serve batatas fritas, queijos veganos (como cheddar de mandioquinha), “bacon bits” (de cenoura defumada), pink e green lemonades, trufas e tortinhas e refrigerantes orgânicos. 

Por uma questão de princípios, Carlos explica que o Animalchef não vende produtos de grandes corporações - nem álcool, nem refrigerante. 

Não somos contra a entrada dessas empresas no mercado vegano (achamos natural), mas entendemos que grande parte das mazelas da nossa sociedade é causada pelas grandes corporações e não queremos que nossa organização contribua com isso.
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Apesar de levar os valores da casa a sério, Carlos pondera que a ideia não é impor nenhuma ideologia. Os funcionários, por exemplo, não são obrigados a serem veganos ou vegetarianos ― apesar de a maioria deles ser. 

Nestes três anos, o Animalchef cresceu, ganhou loja própria e emprega 23 pessoas. O próximo passo, segundo Dias, é expandir os negócios. ”É muito gratificante a sensação de estar construindo algo que consideramos ético, que não colide com os nossos ideais, que contribui com a sociedade”, afirma. 

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