OPINIÃO
07/02/2019 02:00 -02 | Atualizado 07/02/2019 11:36 -02

'Guerra Fria': Uma linda e nada convencional história de amor contada em planos perfeitos

Pawel Pawlikowski consegue condensar as idas e vindas do relacionamento amoroso de seus pais com imagens estonteantes.

Divulgação
A atuação apaixonada e apaixonante de Joanna Kulig é um dos trunfos do filme, um dos melhores de 2018.

Desde Ida (Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015), Pawel Pawlikowski encontrou uma fórmula estética para seus filmes que respondem muito bem a sua obsessão pelo plano perfeito. O que difere Guerra Fria, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (7), de seu antecessor é que a beleza de suas imagens agora é acompanhada por uma história que nos envolve emocionalmente.

Nada que surpreenda, já que o filme conta a história de seus pais, algo muito vivo na memória sentimental do diretor polonês, que consegue como poucos condensar uma série de acontecimentos em imagens estonteantes e precisas.

Na década de 1950, o músico, arranjador e produtor musical Wiktor (Tomasz Kot) monta um espetáculo itinerante com canções e danças tradicionais polonesas. Entre os artistas está Zula (Joanna Kulig), uma carismática jovem do campo de personalidade forte. Os dois se apaixonam, mas Wiktor não aguenta mais viver atrás da Cortina de Ferro. Ele combina fugir com Zula para Paris, mas ela não aparece e os dois seguem suas vidas separados por lados opostos da Guerra Fria. Porém, as barreiras políticas não serão páreo para separar o casal definitivamente.

Pawlikowski conta essa história de amor nada convencional e cheia de idas e vindas por meio de seus planos perfeitos, quadros em movimento onde nada está fora do lugar e tudo tem um propósito narrativo.

No entanto, em Guerra Fria não é apenas a imagem que conta, mas o som também tem um papel fundamental na construção desses “quadros” que representam a separação de dois mundos que se atraem como um imã.

Enquanto Zula segue com o show de músicas tradicionais, Wiktor busca formatos mais contemporâneos para as tradições musicais polonesas. E há um momento em que esses dois mundos colidem em um pequeno bar esfumaçado em Paris, como vemos no charmoso trailer do filme.


Outro fator fundamental para o filme é Joanna Kulig. A atriz e cantora de 36 anos entrega uma interpretação apaixonada e apaixonante. Ela ilumina até as cenas mais escuras.  

Se não fosse o gigantesco buzz gerado por Roma, seu principal rival na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2019, Guerra Fria seria mais celebrado, pois ratifica o talento de Pawlikowski - melhor diretor em Cannes no ano passado - e é, sem qualquer dúvida, um dos melhores filmes de 2018.