OPINIÃO
24/10/2019 11:58 -03 | Atualizado 24/10/2019 11:58 -03

Drauzio Varella: 'Guerra às drogas é um fracasso monumental'

Em entrevista ao UM BRASIL, o médico cancerologista afirma que modelo de combate ao tráfico deixou as drogas mais baratas.

Divulgação/Christian Parente
Drauzio Varella defende que se avaliem as experiências internacionais de descriminalização da maconha.

O fracasso da “guerra às drogas” no País é visto, na opinião do médico cancerologista Drauzio Varella, como o principal motivo para legalizar a maconha. Na entrevista concedida ao UM BRASIL, uma iniciativa da FecomercioSP, ele pontua que o método de combate ao tráfico, adotado até os dias de hoje, acabou servindo para fortalecer o crime organizado.

“A filosofia da guerra às drogas está em reprimir e colocar os traficantes na cadeia. Na teoria, ocorreria falta no mercado e as pessoas usariam menos drogas, mas na realidade aconteceu o oposto. A droga está cada vez mais barata. Nós temos que reconhecer que a guerra às drogas é um fracasso monumental. Entregamos o comércio das drogas nas mãos do crime organizado. Fizemos o pior negócio que se podia fazer”, critica Varella.

Na conversa com o jornalista Renato Galeno, o médico cita casos de outros países que se arriscaram na experimentação, como o Uruguai, além de estados americanos, como o Colorado. Mesmo com esses exemplos, Varella aponta que a decisão de legalizar a maconha no Brasil levanta questionamentos, como quem ficaria encarregado da produção e comercialização da droga — o Estado ou a iniciativa privada?

“Há várias experiências no mundo que começaram pela maconha porque ela não provoca uma crise de abstinência brutal. Agora, se a droga for muito barata, mais gente vai usar. Se for cara, o usuário vai preferir comprar do traficante. Legalizar não é tão simples, mas eu acho que temos de começar por algum lado. Vamos analisar o que está acontecendo nos outros países. Vamos tentar sair um pouco dessa visão estreita da guerra às drogas que não leva a absolutamente nada”, enfatiza.

Assista à entrevista completa: