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31/03/2020 19:55 -03

Guedes evita polemizar com Maia sobre demora para pagamento de R$ 600 a informais

Chefe da Economia disse ter certeza que presidente da Câmara quer ajudar. O deputado criticou previsão do governo para pagar benefício.

Ueslei Marcelino / Reuters
Ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que é hora de juntar esforços.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, evitou, nesta terça-feira (31), polemizar com congressistas que cobram agilidade no pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 aprovado na tarde de segunda (30) pelo Senado.

Mais cedo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou as previsões do governo de liberar o benefício em 16 de abril e afirmou que há “toda condição” de isso ser antecipado. Além da sanção, a liberação do recurso desse voucher, que será pago por 3 meses durante o período de pandemia do novo coronavírus, depende de medida provisória que libera crédito e da liberação do sistema.

“Tenho certeza de que o presidente Rodrigo Maia quer nos ajudar a aprovar isso. Queremos implementar isso o mais rápido possível”, disse Guedes em coletiva à imprensa no Palácio do Planalto ao lado dos ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e da Casa Civil, Walter Braga Netto.

Até o início da noite desta terça, o presidente Jair Bolsonaro ainda não havia sancionado o texto, enviado ao Congresso na semana passada, com previsão inicial de pagar aos trabalhadores informais R$ 200. Segundo fontes do Planalto, equipes técnicas estão debruçadas sobre a proposta em busca de eventuais “jabutis” - trechos que não tenham a ver com o teor da matéria. Não há ainda uma previsão de quando o mandatário sancionará o texto. 

“A palavra ‘emergencial’ não me perece, por uma crise do tamanho que a gente está vivendo, que aguardar até 16 de abril é a melhor solução. Acho que o governo tem toda a condição, num trabalho com mutirão, juntando outras estruturas, mesmo de forma remota, que consiga organizar o pagamento dos brasileiros antes de 16 de abril”, disse Rodrigo Maia na Câmara.

Segundo Paulo Guedes, há uma “falta de percepção” sobre todo o “esforço que é criar um programa novo”. “Depois dele criado, está cheio de protagonista, aparece um monte de paternidade e reclamação de atraso. Mas foi um choque essa crise toda”. 

Guedes destacou que a primeira simulação, com R$ 200, já contava que, no parlamento, haveria a intenção de aumento desse valor. “Quando os deputados apresentaram a ideia de destinar R$ 500, o próprio presidente autorizou R$ 600 e a inclusão das famílias assistidas pelo Bolsa Família neste valor também”, acrescentou o ministro da Economia. 

Ele disse ainda que esse é o momento de “juntar esforços, ao invés de apontar diferenças de opiniões”. E ressaltou necessitar da ajuda de Rodrigo Maia para aprovar uma PEC que libere gastos ao governo. Segundo interlocutores, está em elaboração uma proposta de emenda à Constituição a ser enviada ao Congresso nos próximos dias com vistas à ampliação do limite de gastos do governo durante a pandemia do novo coronavírus.

Nesta segunda, o ministro da Cidadania, Onyx Lorezoni, pediu aos trabalhadores informais, que terão direito ao auxílio emergencial de R$ 600, que não procurem a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil ou os Cras (Centros Regionais de Assistência Social) neste momento.