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04/03/2019 14:31 -03 | Atualizado 04/03/2019 14:53 -03

Juan Guaidó volta à Venezuela: 'Entramos como cidadãos livres'

Presidente autoproclamado trabalha com hipótese de ser preso por regime de Maduro.

Reuters
Juan Guaidó fala com jornalistas em Caracas.

O presidente autoproclamado da Venezuela, Juan Guaidó, informou nesta segunda-feira (4), pelo Twitter, que está de volta a seu país. Imagens de uma emissora local confirmam o retorno dele após viagem pela América do Sul, que incluiu o Brasil, em sua campanha para depor o ditador Nicolás Maduro.

Às 13h23, horário de Brasília, Guaidó tweetou que acabara de passar pelo departamento de imigração. “Nos mobilizaremos onde está nosso povo”, escreveu com hashtag convocando todos a irem para as ruas.

“Entramos na Venezuela como cidadãos livres, que ninguém nos diga o contrário”, destacou do aeroporto de Maiquetía.

Guaidó participou de protesto de centenas de venezuelanos contrários ao regime de Maduro em Caracas. A concentração nos manifestantes foi em uma praça ao leste da capital da Venezuela.

ASSOCIATED PRESS
Centenas de manifestantes aguardam Guaidó em Caracas.

“Esperando o abraço desse mar de gente que nos inspira e com quem temos compromisso”, afirmou Guaidó antes de chegar a Caracas.

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela saiu de seu país em segredo rumo à Colômbia em 23 de fevereiro. Seu intuito era ajudar no envio de ajuda humanitária à Venezuela, assolada por desabastecimento de comida e medicamentos.

O tour de Guaidó, para angariar apoios, incluiu Argentina, Brasil, Paraguai e Equador. Ele busca liderar um governo de transição que implique a saída de Maduro e a convocação de eleições livres.

Em maio de 2018, Maduro saiu vitorioso de uma eleição presidencial marcada por denúncias de fraude. Houve tentativa de boicote e 54% da população não compareceu às eleições — o maior índice de abstenção da História do país. 

O candidato derrotado da oposição, Henri Falcón, denunciou mais de 350 violações às regras eleitorais e afirmou que não reconheceria o resultado das urnas. 

De acordo com Falcón, houve pressão, chantagem e abuso do voto assistido, que é o uso de acompanhante para ajudar o eleitor. Reprovado por 75% dos venezuelanos, Maduro teve 67,7% dos votos contra 20,93% de Henri Falcón.

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Imagem desta segunda-feir (4) mostra adesão de venezuelanos a protesto contra Maduro e apoio a Guaidó.

 

Risco de prisão de Guaidó 

Ao sair da Venezuela, Guaidó driblou a proibição de viagem imposta por um tribunal. De volta a seu país, ele corre risco de ser preso por ter desrespeitado a Justiça.

O retorno do oposicionista é visto como clímax do acirramento de tensões entre ele e Maduro. “Se o regime ousar nos sequestrar, será o último erro que cometerá”, disse Guaidó em uma live no Twitter, sem revelar sua localização.

O presidente interino disse que ele e sua equipe prepararam “os passos a seguir” caso seja detido.

(Com informações da Reuters)