NOTÍCIAS
01/05/2019 13:29 -03

Guaidó convoca novos protestos e deseja 'maior marcha da história' da Venezuela

“Hoje continuamos”, disse Guaidó em um tuíte na manhã desta quarta-feira (1). “Seguiremos adiante com mais força do que nunca.”

Reuters
Maduro qualifica Guaidó, que comanda a Assembleia Nacional de maioria opositora, como “fantoche” dos Estados Unidos que quer sua deposição.

O líder da oposição venezuelana Juan Guaidó enfrenta um teste crucial para seu apoio após convocar “a maior marcha da história” para tentar depor o presidente Nicolás Maduro, apesar de os militares terem, até agora, resistido aos apelos para ajudarem a derrubar o atual governo.

“Hoje continuamos”, disse Guaidó em um tuíte na manhã desta quarta-feira (1). “Seguiremos adiante com mais força do que nunca, Venezuela.”

Para conquistar o apoio das Forças Armadas, Guaidó compareceu na manhã de ontem, terça-feira (30), em uma base aérea nos arredores de Caracas com dezenas de membros da Guarda Nacional, o que desencadeou um dia de protestos violentos que deixaram mais de 100 feridos. Ao final, não houve qualquer sinal concreto de deserções na liderança das Forças Armadas.

Embora Guaidó tenha angariado o apoio dos Estados Unidos e da maioria dos países ocidentais, as Forças Armadas ficaram ao lado de Maduro, que ainda conta com aliados como Rússia, China e Cuba. Isso frustrou a intenção de Guaidó de assumir funções cotidianas do governo em caráter interino, o que ele disse que abriria espaço para a convocação de novas eleições.

Maduro qualifica Guaidó, que comanda a Assembleia Nacional de maioria opositora, como “fantoche” dos Estados Unidos que quer sua deposição.

Juan Carlos Ulate / Reuters
Em entrevista nesta quarta-feira (1), Mike Pompeo disse que uma ação de militares dos EUA é “possível” na Venezuela.

Descobrir se o comparecimento à marcha estará à altura de tamanha esperança será um teste crucial para Guaidó em meio à frustração de alguns apoiadores com o fato de Maduro continuar no poder; há três meses, Guaidó invocou a Constituição para assumir uma presidência interina, argumentando que a reeleição de Maduro em maio de 2018 foi ilegítima.

Reação internacional

Nesta quarta-feira (1), a Rússia negou a afirmação feita um dia antes pelo secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, de que Maduro estava preparado para deixar o país, mas desistiu depois que Moscou interveio. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo disse aos repórteres que os comentários são parte de uma “guerra de informação”.

Carlos Garcia Rawlins / Reuters
Vítimas foram atingidas por bala de borracha, armas de fogo e bombas de gás lacrimogêneo em protestos na última terça (30).

Em entrevista nesta quarta-feira (1), Pompeo disse que uma ação de militares dos EUA é “possível” na Venezuela, mas que o governo Trump preferiria uma transferência de poder pacífica.

Na noite de terça-feira, a Agência Federal de Aviação dos EUA proibiu os operadores aéreos do país de voarem abaixo de 26 mil pés no espaço aéreo da Venezuela, citando a instabilidade política.

A postura de Jair Bolsonaro

Adriano Machado / Reuters
“Não tem derrota nenhuma. Eu até o elogio, reconheço o espírito patriótico e democrático que ele tem por lutar por liberdade em seu país”, disse Bolsonaro.

O governo brasileiro tem informações de que existem fissuras nas Forças Armadas da Venezuela, após o líder da oposição Juan Guaidó anunciar que tinha apoio de militares para derrubar Nicolás Maduro, e o governo do país vizinho pode ruir, disse nesta quarta-feira o presidente Jair Bolsonaro.

Em conversa com jornalistas ao lado do ministro da Defesa, Fernando Azevedo, em Brasília, na manhã desta quarta-feira (1), Bolsonaro disse ainda que não há derrota de Guaidó após o movimento de ontem, terça-feira.

“O informe que nós temos é que existe uma fissura sim, que cada vez mais se aproxima da cúpula das Forças Armadas. Então existe a possibilidade de o governo ruir pelo fato de alguns da cúpula passarem para o outro lado”, disse Bolsonaro a jornalistas após reunião para tratar da situação na Venezuela.

Carlos Eduardo Ramirez / Reuters
Confrontos entre aliados e oposicionistas do ditador Nicolás Maduro tomaram as ruas de Caracas, na Venezuela, nesta terça-feira (30).

“Não tem derrota nenhuma. Eu até o elogio, reconheço o espírito patriótico e democrático que ele tem por lutar por liberdade em seu país”, disse.

Indagado pelos jornalistas, Bolsonaro disse que até o momento não aconteceu nenhum contato do governo dos Estados Unidos para que o território brasileiro seja usado em eventual ação militar norte-americana na Venezuela.

“Se por ventura vier, o que é normal acontecer, o presidente reúne o Conselho de Defesa, toma a decisão, participa o Parlamento brasileiro”, disse Bolsonaro.

O presidente expressou preocupação com os reflexos da crise venezuelana no Brasil por conta de seus impactos no preço do petróleo. Ele citou a política de reajuste de preços de combustíveis da Petrobras e afirmou que conversará com a estatal para se “antecipar a problemas”.