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30/04/2019 12:36 -03 | Atualizado 30/04/2019 15:17 -03

Guaidó diz que tomar o poder é caminho sem volta; Maduro afirma ter lealdade dos comandos militares

Após opositor convocar protesto e regime pedir a população que o defenda, ruas de Caracas registram confrontos.

Ueslei Marcelino / Reuters
Oposição e regime convocam população às ruas. 

Horas depois de o presidente autodeclarado da Venezuela, Juan Guaidó, ter afirmado que conquistou o apoio dos militares para colocar fim à “usurpação do poder” no país, o ditador Nicolás Maduro disse contar com a lealdade dos comandos das Forças Armadas.

Maduro disse que conversou com chefes das Regiões de Defesa Integral (Redi) e das Zonas de Defesa Integral (Zodi) e que eles lhe garantiam “lealdade ao povo, à Constituição e à Pátria”.

Até agora, um dos principais pilares para manutenção do regime Maduro tem sido o apoio dos militares.

Tanto Guaidó quanto Maduro convocaram a população às ruas.

“Povo da Venezuela é necessário que saiamos juntos às ruas para respaldar as forças democráticas e recuperar nossa liberdade”, disse o líder oposicionista.

“Chamo a máxima mobilização popular para assegurar a vitória da paz”, disse Maduro.

A população saiu às ruas e há registros de confrontos.

ASSOCIATED PRESS
Manifestações na Venezuela estavam previstas para o dia 1º de maio, mas convocatória de líder da oposição e de Maduro atraíram as pessoas às ruas. 
ASSOCIATED PRESS
Há registros de confrontos nos protestos. 

As declarações do líder da oposição e de Maduro foram publicadas no Twitter. Na rede, Maduro retuitou fotos de pessoas nas ruas a “defender o Palácio de Miraflores contra tentativa de golpe de Estado”. 

Já Guaidó, diz que o momento é agora. “Os 24 estados do país assumiram o caminho: ruas sem retorno. O futuro é nosso: povo e Forças Armadas unidos para que cesse a usurpação.”

Em outro tuíte, ele destaca que: “as ruas da Venezuela seguem enchendo de gente e mais gente. (…) Irmãos, estamos fazendo história. O fim da usurpação é irreversível”.

 

‘Fim da usurpação do poder’

A ação contra o governo de Maduro iniciou nesta manhã, com um vídeo de Guaidó ao lado de militares publicado no Twitter. 

Na gravação, o presidente autoproclamado pediu à população que saia às ruas de forma “pacífica”, além de calma e coragem.

O presidente encarregado aparece nas imagens ao lado de Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular que estava em prisão domiciliar desde fevereiro de 2014. Não está claro como ele foi solto.

Também no Twitter, López reiterou as palavras do aliado oposicionista. Afirmou que “começou a fase definitiva para o fim da usurpação, a Operação Liberdade”.

Juan Guaidó se declarou presidente interino da Venezuela em 23 de janeiro. Em seguida, uma série de países, que hoje somam cerca de 50, o reconheceram como presidente. Entre esses, estão o Brasil e os Estados Unidos.

Na época, Maduro prometeu ir ao combate. Houve manifestações de chavistas e da oposição em Caracas, que resultaram em 4 mortes.

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