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14/06/2019 08:12 -03 | Atualizado 14/06/2019 18:40 -03

Greve geral atinge cidades pelo País e afeta transporte público em São Paulo

João Doria diz que os funcionários do metrô que aderiram podem ser suspensos e até demitidos. Paralisação foi contra reforma da Previdência e o governo Bolsonaro.

MIGUEL SCHINCARIOL via Getty Images

A grevegeral contra a reformada previdência afetou parcialmente o transporte público de diversas cidades em pelos menos 24 estados do País e no Distrito Federal. Nesta sexta-feira (14), as capitais São Paulo, Salvador e Belo Horizonte foram as mais afetadas pelas paralisações.

Em São Paulo, o metrô operou parcialmente durante a manhã e 97% das linhas de ônibus estavam dentro da normalidade, de acordo com informações da SPTrans. Os trens da CPTM também seguiram o cronograma diário. 

Segundo Alexandre Baldy, secretário estadual de Transportes, 84% dos usuários de metrô foram afetados na cidade e alguns precisaram esperar até 1 hora e meia para embarcar nos trens. 

A expectativa do governo paulista é de que as Linhas 1- Azul, 2-Verde e 3-Vermelha operem normalmente no fim do dia. Já as linhas 4- Amarela e 5-Lilás, que são privatizadas, não aderiram à paralisação.

Manifestantes também bloquearam avenidas importantes, como a Avenida Paulista. A concentração dos atos afetou o trânsito nas avenidas Professor Francisco Morato, Vital Brasil, Vinte e Três de Maio e no Anhangabaú. 

Na rodovia Hélio Schmidt, manifestantes atearam fogo em pneus no início da manhã e o acesso ao Aeroporto de Guarulhos foi fechado. Na Anhanguera, a pista expressa também foi bloqueada. 

Durante a tarde, o governador João Doria afirmou que os funcionários do metrô que aderiram à paralisação podem ser advertidos, suspensos e até demitidos. A Justiça havia concedido liminar para que trens e metrôs funcionassem normalmente na capital.

Em Salvador, ônibus e trens não circularam durante o dia, apenas o metrô, e manifestantes fecharam as principais vias de acesso à cidade.

Já em Belo Horizonte, apenas as linhas de ônibus circularam. Os protestos também afetaram as rodovias MG-10, na capital, e a BR-040, em Congonhas. 

 

Paralisação é contra reforma da previdência e ‘cortes nos direitos’

Desta vez o objetivo da manifestação não era lotar as ruas do País, mas “esvaziá-las”. Em protesto contra a reforma da previdência - mas também contra cortes na educação e outras partes da agenda do governo Bolsonaro -, centrais sindicais de todo o País convocaram a paralisação.

A greve, aprovada por sindicalistas no dia 1º de maio, durante o ato das centrais no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, vem depois de duas grandes manifestações contrárias ao governo Bolsonaro - centradas inicialmente na questão dos cortes na Educação - e uma a favor.  

Antes da greve, Vagner Freitas, presidente nacional da CUT, defendeu que a paralisação seria uma resposta à “crise política e econômica que o Brasil vive”.

Segundo ele, a prioridade não era realizar atos nas cidades, mas fazer com que os trabalhadores “cruzassem os braços” para demonstrar que o “trabalhador brasileiro não está satisfeito com os cortes de direitos”.

Desde que foi aprovada a decisão pela greve, a orientação da Central Nacional foi que os sindicatos filiados fizessem uma assembleia com os trabalhadores para decidir sobre a adesão. 

 

Estudantes e professores também aderem a greve

Os sindicatos de professores municipais, estaduais e particulares também aderiram ao movimento. O Sindicato dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) convocaram manifestações nas ruas para o fim do dia.

Também participaram dos movimentos a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG), a Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (FENET), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a União Nacional dos Estudantes (Une).

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a orientação da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) era de não aderir à greve. No entanto, na capital paulista, professores de ao menos 30 colégios particulares pararam.

 

Greve geral pressiona governo Bolsonaro

A greve geral dessa sexta-feira marca o terceiro ato contra o governo, após o presidente enfrentar atos de apoiadores e críticos no mês passado.

No dia 15 de maio, manifestantes em todo o País ocuparam as ruas contra os cortes na Educação. As manifestações atingiram 146 cidades em 26 estados e no Distrito Federal.

Em resposta aos protestos, o presidente chamou os manifestantes de “idiotas úteis” e de “massa de manobra”. 

No mesmo mês, grupos pró-Bolsonaro foram às ruas em 26 estados e no DF.

Impulsionados pelo próprio presidente, os manifestantes defendiam a reforma da Previdência, criticavam o centrão (composto por deputados de partidos como DEM, PP e PSD) e os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Quatro dias depois do ato de apoio, críticos do governo voltaram às ruas em mais de 80 cidades em 21 estados contra os bloqueios das verbas na Educação.

Os protestos contra os cortes aconteceram após o governo anunciar que congelaria 30% do orçamento de 3 universidades federais - UFBA, UFF e UnB.

O ministro Abraham Weintraub disse que universidades que estivessem “fazendo balbúrdia” teriam verbas reduzidas, mas mudou o discurso e afirmou que o bloqueio tinha sido “operacional, técnico e isonômico para todas as universidades e institutos”.

Após a repercussão sobre o contigenciamento, o governo explicou que o corte de 30% era “fake news” e afirmou que o ministério faria um congelamento “preventivo” de 3,5% do orçamento total das universidades federais - isso porque o bloqueio não atinge despesas de pessoal.

Se não for considerada a folha de pagamento, no entanto, o que se tem é um impacto sobre 30% do orçamento das federais.