NOTÍCIAS
03/06/2020 20:07 -03 | Atualizado 03/06/2020 22:04 -03

Após relatório apontar publicidade em canais impróprios, Secom diz que não direciona anúncio

Em parecer à CPMI das Fakes News, consultores da Câmara listaram 2 milhões de impressões de anúncios da Reforma da Previdência em 843 canais inadequados.

NurPhoto via Getty Images

A Secretária Especial de Comunicação (Secom) do Governo Federal afirmou nesta quarta-feira (3) que não direcionou anúncios da Reforma da Previdência para sites com conteúdo inadequado. O chefe da Secom Fábio Wajngarten e o secretário de Publicidade, Glen Valente, disseram que não há direcionamento de publicidades para blogs e minimizaram 2 milhões de impressões veiculados em canais consideradas impróprias — a impressão é contabilizada toda vez que um anúncio carrega em uma página na internet, seja em aplicativo ou no navegador.

Relatório da CPMI das Fake News, citado em reportagem do jornal O Globo e disponível no site do Senado, aponta que entre 6 de julho e 13 de julho de 2019, houve 2.065.479 de impressões em 843 sites inadequados, por meio do Google Adsense.

Entraram nessa categoria de inadequados sites com notícias falsas, jogos de azar e até conteúdo sexual, entre outros. Um dos campões de veiculações, segundo o parecer elaborado por consultores da Câmara, está o Sempre Questione, com 66 mil impressões. Do YouTube, o relatório cita a Bolsonaro TV.

“A veiculação de anúncios, pela SECOM, em canais desse tipo pode gerar questionamento com base no § 1º do art. 37 da Constituição, pois abre a possibilidade de se interpretar tal fato como utilização da publicidade oficial para promoção pessoal, conduta vedada pela Carta Magna”, ressalta o relatório.

O texto também destaca o Terça Livre, de Allan Santos — alvo do inquérito das Fake News que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal). À CPMI, ele afirmou que seus veículos não recebem dinheiro da Secom.

O secretário de Publicidade afirmou que se for verificado que há site impróprio, o governo não vai pagar. Segundo ele, cada impressão custa aproximadamente R$ 0,005, e que todos esses anúncios aferidos custariam no máximo R$ 10 mil. Afirmou ainda que foram destinados R$ 72 milhões para a publicidade da Reforma da Previdência.

Não ficou claro, no entanto, por quanto tempo o governo veiculou a campanha, visto que os dados obtidos pelo Legislativo abrangem apenas um período de 38 dias, e a proposta tramitou por mais da metade do ano passado. Não é possível também dizer categoricamente, como afirmou Wajngarten, que há 99,5% de assertividade nos anúncios, já que foram 2 milhões de 47 milhões de impressões que o Legislativo teve acesso, e não do total de 400 milhões veiculados.  

Os representantes do governo insistiram que não há canais censurados nem privilegiados e que o governo “vai atrás do indivíduo”. Wajngarten tentou ligar a publicação da reportagem do jornal O Globo à promoção de uma ferramenta de publicidade do Grupo Globo. Segundo ele, a plataforma do grupo, lançada esta semana, “vai concentrar as verbas e destruir o ecossistema publicitário”.

Dados que serviram de base para o relatório, no entanto, são derivados de um pedido feito no ano passado, por meio da Lei de Acesso à Informação, por consultores da Câmara à Secom. O órgão do governo, porém, só respondeu este ano, cinco meses após o pedido, segundo consta no relatório.

Em nota, o Google afirmou que age “diariamente para minimizar conteúdos que violam nossas políticas e impedir a ação de pessoas mal-intencionadas em nossa rede. Somente em 2019, conforme nosso mais recente relatório de transparência, encerramos mais de 1,2 milhão de contas de publishers e retiramos anúncios de mais de 21 milhões de páginas, que faziam parte de nossa rede, por violação de políticas”.

Leia a íntegra da nota do Google

O Google tem ajudado parceiros do setor privado e do setor público a usar a publicidade digital para levar suas mensagens a milhões de brasileiros de modo eficiente, com escala e alcance.

Temos políticas contra conteúdo enganoso em nossas plataformas e trabalhamos para destacar conteúdo de fontes confiáveis. Agimos rapidamente quando identificamos ou recebemos denúncia de que um site ou vídeo viola nossas políticas.

Entendemos que os anunciantes podem não desejar seus anúncios atrelados a determinados conteúdos, mesmo quando eles não violam nossas políticas, e nossas plataformas oferecem controles robustos que permitem o bloqueio de categorias de assuntos e sites específicos, além de gerarem relatórios em tempo real sobre onde os anúncios foram exibidos.

Cientes do dinamismo do ecossistema digital, também trabalhamos no aperfeiçoamento de nossas plataformas para oferecer os melhores resultados possíveis para nossos parceiros. Preservar a confiança no ambiente de publicidade digital é uma prioridade.

Agimos diariamente para minimizar conteúdos que violam nossas políticas e impedir a ação de pessoas mal-intencionadas em nossa rede. Somente em 2019, conforme nosso mais recente relatório de transparência, encerramos mais de 1,2 milhão de contas de publishers e retiramos anúncios de mais de 21 milhões de páginas, que faziam parte de nossa rede, por violação de políticas.