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28/01/2019 15:08 -02

Governo estuda possibilidade de afastar diretoria da Vale, diz Mourão

Afastamento é discutido pelo grupo de crise do governo, formado após o rompimento de barragem em Brumadinho (MG).

MAURO PIMENTEL via Getty Images
Equipes de resgate procuram vítimas do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho (MG).

O presidente em exercício, general Hamilton Mourão (PRTB), afirmou nesta segunda-feira (28) que o afastamento da diretoria da Vale está em estudo pelo grupo de crise do governo, formado após o rompimento de barragem em Brumadinho (MG), na sexta-feira (25).

“Essa questão da diretoria da Vale está sendo estudada pelo grupo de crise. Vamos aguardar quais são as linhas de ação que eles estão levantando”, disse Mourão a jornalistas, após ser questionado sobre a possibilidade.

A questão foi levantada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) em sua conta no Twitter, no domingo (27).

“Não podemos prejulgar. Mas é urgente, em respeito às vítimas de Brumadinho, o afastamento cautelar da diretoria da Vale, assim como a nomeação de diretoria interventora, para impedir a destruição de provas e apurar com isenção os fatos”, escreveu o senador.

Mourão ressaltou não ter certeza se o governo pode pedir o afastamento. “Tem que estudar isso. Não tenho certeza que o grupo [de crise] pode fazer essa recomendação”, alegou.

Tecnicamente, acionistas podem entrar na Justiça com um pedido de ação cautelar para destituir a direção, e o governo é um dos acionista. Também podem entrar com processo a Advocacia-Geral da União (AGU), o Ministério Público e mesmo a população em geral, através de uma ação popular.

Mourão acrescentou que o momento é de rescaldo, de tentar encontrar sobreviventes. A segunda fase, diz ele, será de “apurar e punir”.

“Punição tem que doer no bolso, que já está sendo aplicada. E, se houve imperícia ou imprudência ou negligência por parte de alguém dentro da empresa, essa pessoa tem que responder criminalmente. Porque, afinal de contas, quantas vidas foram perdidas nisso aí?”, argumentou Mourão.

O rompimento da barragem em Brumadinho já contabiliza 60 mortos e há, ainda, cerca de 300 desaparecidos.