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23/01/2020 15:49 -03 | Atualizado 23/01/2020 15:53 -03

Governador do DF veta homenagem a Marielle Franco em nome de praça

Ibaneis Rocha alega que vereadora assinada em março de 2018 não “teria prestado serviços à população do DF”.

Anadolu Agency via Getty Images

O governador do DF, Ibaneis Rocha, vetou um projeto de lei que criava a Praça Marielle Franco, no Setor Comercial Sul, em Brasília. A decisão foi publicada em edição extra do Diário da Câmara Legislativa de quarta-feira (22).

Como justificativa, o governo argumentou que a vereadora, assassinada em março de 2018, “não teria prestado serviços à população do Distrito Federal, e haveria, aqui, uma tradição de se homenagear com a denominação de logradouros públicos apenas pessoas com vínculos diretos com a cidade”.

A informação, no entanto, não condiz com a realidade. A assessoria do deputado distrital Fábio Felix (PSol), autor da proposta de homenagem, destaca que há na cidade, por exemplo, a Praça Alziro Zarur, a Praça Zumbi dos Palmares, a Praça cantor Leandro e a Praça Roberto Marinho (Lei nº 3.530/2005).

“Mais de 150 logradouros públicos dos mais diversos países hoje levam o nome de Marielle Franco: covardemente executada por milicianos no Rio de Janeiro, em um crime cujos mandantes seguem desconhecidos; crime cuja não resolução nos submete à vergonha internacional”, afirma o deputado, em nota.

Caso Marielle Franco

A vereadora foi assassinada junto com seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro, após sair de um evento público. A investigação está sob sigilo e as principais linhas de apuração apontam para a participação de milícias ou, ainda, para um crime político.

Até o momento, dois suspeitos de envolvimento no crime foram detidos, mas os motivos dos assassinatos não foram esclarecidos. O sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa e o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz foram presos em março de 2019 por envolvimento no crime.

Mulher negra, nascida na Favela da Maré, lésbica e defensora dos direitos humanos, Marielle foi a 5ª vereadora mais votada do Rio em 2016. Ela denunciava abusos da Polícia Militar, atendia vítimas da milícia e dava apoio a policiais vitimados pela violência no Rio e às suas famílias.