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21/02/2019 21:03 -03

Governo brasileiro mantém missão de ajuda após Venezuela fechar fronteira

No sábado, caminhões levarão mantimentos e medicamentos doados pelos EUA até Pacaraima, em Roraima.

Ricardo Moraes / Reuters
Venezuela compra mantimentos na cidade de Pacaraima, em Roraima, antes do fechamento da fronteira por Maduro, nesta quinta-feira (21).

O governo brasileiro disse que a missão humanitária que levará mantimentos a venezuelanos no sábado (23) está mantida, mesmo após o presidente Nicolás Maduroanunciar o fechamento da fronteira com o Brasil nesta quinta-feira (21).

“A operação humanitária terá início no dia 23”, disse o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, a jornalistas.

O governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), estava em Brasília para encontros com o chanceler, Ernesto Araújo, e no Planalto justamente para coordenar a missão de sábado, quando Maduro anunciou que fecharia a fronteira.

A ação foi tomada a partir das 15h, segundo o governo de Roraima. Venezuelanos se apressaram em tentar comprar alimentos e produtos de higiene na cidade de Pacaraima, do lado brasileiro, antes que a fronteira fosse fechada.

Na noite desta quinta, o chanceler brasileiro anunciou que irá nesta sexta-feira (22) a Cúcuta, na Colômbia, que faz fronteira com aVenezuela, para participar de um evento como parte da mobilização para o envio de ajuda humanitária. 

Andres Martinez Casares / Reuters
Militares venezuelanos bloqueiam estrada antes da chegada de ajuda humanitária pela fronteira.

A ideia é que, no sábado, caminhões com ajuda comprada com dinheiro doado pelos Estados Unidos chegue até a fronteira com a Venezuela em pontos no Brasil e na Colômbia.

“No sábado, dia 23, estarei em Roraima, para acompanhar a ajuda humanitária colocada à disposição do povo venezuelano pelo Brasil em cooperação com os EUA”, escreveu Araújo, no Twitter.

Na segunda-feira (25), ele irá com o vice-presidente, Hamilton Mourão, para Bogotá, onde haverá uma reunião do chamado Grupo de Lima, que pressiona politicamente o governo de Maduro.

Também nesta quinta-feira, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino da Venezuela e foi reconhecido por mais de 20 países - entre eles Brasil e EUA -, deu início a uma caravana rumo à fronteira com a Colômbia, num percurso de 900 km.

Do lado brasileiro, o porta-voz da Presidência disse que não foi identificado risco de conflito, por isso a missão foi mantida.

“Nós estamos disponibilizando os meios para a operação e nos quedamos aguardando a vinda dos caminhões de transporte dirigidos por venezuelanos”, disse.

A ideia é que os mantimentos - que, segundo ele, não são perecíveis - e os medicamentos - que teriam prazo de validade longo - sejam mantidos na cidade de Pacaraima até que possam ser recolhidos por lideranças opositoras a Maduro e pela população do país vizinho. São esperadas cerca de 100 toneladas em ajuda.